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Procurador defende delação premiada em seminário sobre corrupção e impunidade

Notícia publicada pela Assessoria de Imprensa em 2018-03-16 17:44:00.858

“No crime não existe amizade”. Foi com essa frase que o procurador de Justiça do Ministério Público do Rio Grande do Sul, Fábio Costa Pereira apresentou o painel “A Lava Jato e a Teoria dos Jogos”, durante o seminário “Corrupção e Impunidade”, realizado nesta sexta, dia 16, no auditório Antonio Carlos Amorim, no Fórum Central, pela Escola da Magistratura do Rio (Emerj). O magistrado explicou os desdobramentos da Operação Lava Jato e a importância do uso da delação premiada como busca da autoria dos crimes.

“Não existe ética no mundo do crime, ele por si só é antiético. A delação premiada entra neste caminho, oferecendo uma possibilidade ao agente da melhor posição processual ou um benefício diante de uma possível punição em troca de sua colaboração para o desmantelamento daquela organização criminosa. Ele está dentro dela e sabe como funciona, indicando os caminhos a seguir”, afirmou o procurador.

No painel ministrado pelo procurador de Justiça do MP do Paraná, Rodrigo Chemim, o tema foi “Mãos Limpas e Lava-Jato – A corrupção se olha no espelho”, baseado no livro homônimo de sua autoria. O procurador traça um paralelo entre a Operação Mãos Limpas, ocorrida na Itália e considerada um dos maiores escândalos de corrupção já ocorridos, com a Operação Lava Jato. Segundo Chemim, o combate à corrupção precisa ser o mais rápido possível nas instituições e pelos operadores do direito.

“A decisão é tomada hoje [de combate à corrupção]. Nós temos que ter o cuidado de entender que a legislação brasileira, tanto na área penal quanto processual penal, precisa ser reorganizada para dar maior efetividade às sanções são necessárias no campo da criminalidade elitizada, no crime do colarinho branco, que desvia dinheiro público. Este é o dinheiro que falta para educação, saúde, segurança, as coisas básicas da vida em sociedade e particularmente da população mais carente,” disse.

Para a coordenadora do evento, a juíza Renata Guarino Martins, do TJRJ, os painéis apresentados se destacam por mostrar que a Operação Lava Jato mudou a ideia de que o crime compensa.

“Esse seminário tem justamente a intenção de demostrar aos operadores do direito e a população em geral que a corrupção precisa ser combatida porque os países mais atrasados são justamente os mais mergulhados em escândalos. Essa é a nossa finalidade, trazer a discussão de quanto seria nocivo para a sociedade a aprovação de projetos de leis que visam esvaziar a efetiva punição desses crimes cometidos”, complementou.

MM/FB