Inaugurada exposição que destaca protagonismo da mulher na sociedade

A presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargadora Leila Mariano, momentos antes de descerrar a faixa de inauguração: magistrada ressaltou protagonismo das mulheres   A exposição Mulher, Direito e Sociedade: o feminino na construção da Justiça. Painéis contam trajetórias de mulheres que são destaque em diferentes campos de atuação

O protagonismo da mulher na sociedade e suas conquistas ao longo da história em diferentes esferas, principalmente no Judiciário, são a tônica da exposição "Mulher, Direito e Sociedade: o feminino na construção da Justiça", inaugurada nesta quarta, dia 7, data em que se comemoram os sete anos da promulgação da Lei Maria da Penha. A cerimônia foi realizada no Antigo Palácio da Justiça.

A presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), desembargadora Leila Mariano, primeira mulher a assumir o mais alto cargo do Judiciário fluminense, considera a exposição uma homenagem às vitórias femininas ao longo dos anos. "É uma exposição muito bonita porque relata as conquistas das mulheres e reforça que a igualdade de gênero deve prevalecer em todas as instituições. Foi uma luta árdua garantir que as mulheres tenham os mesmos direitos. É uma luta árdua porque ainda não cessou, mas estamos conseguindo vencer", disse a desembargadora.

Emocionada, a magistrada lembrou sua trajetória no meio jurídico e destacou como o preconceito contra a mulher foi-se dissipando com o passar do tempo. "O preconceito não existe mais entre os magistrados. Hoje, já somos a maioria na primeira instância e representamos 30% entre os desembargadores. Mas, se considerarmos o total de servidores, podemos afirmar que o Judiciário é substantivo feminino e plural", destacou a presidente.

Exposição: vitórias, curiosidades e crimes contra a mulher

Da conquista do voto feminino à trajetória das mulheres que foram pioneiras em diferentes áreas de atuação, a exposição conta com 62 painéis, distribuídos em dois salões do Antigo Palácio.

No primeiro, o dos Passos Perdidos, estão os crimes de repercussão nacional que foram julgados no antigo Tribunal do Júri e que tiveram as mulheres como vítimas. São casos conhecidos como Aída Cury, Claudia Lessin Rodrigues e Daniela Perez. Já no interior do Tribunal do Júri, o visitante pode ouvir os áudios dos julgamentos de alguns desses casos.

No segundo salão (Espelhos), os painéis mostram a história de mulheres de diferentes segmentos (Judiciário, esportes, cultura, Poder Executivo, movimentos sociais) que tiveram reconhecimento por sua militância na igualdade de gênero.

Em outro ambiente, no Salão Nobre, o visitante encontra objetos pessoais e reportagens de época relacionadas às magistradas pioneiras no TJRJ, como a presidente do tribunal, desembargadora Leila Mariano. Uma das homenageadas, a desembargadora aposentada Áurea Pimentel Pereira, participou do lançamento da exposição. Perguntada sobre como era a magistratura na época em que era minoria entre juízes e desembargadores, ela não titubeou. "Sofremos preconceito, sim. Não acreditavam em nosso potencial. Mas, pouco a pouco, fomos conquistando espaço e mostrando que, com preparo e capacidade, temos condições de exercer a função como qualquer homem. Hoje, graças a Deus, isso acabou e eu fico feliz por fazer parte dessa vitória", finalizou.

A exposição está aberta ao público a partir desta quinta-feira, dia 8, das 11h às 17h, na Rua Dom Manuel, 29, com entrada gratuita para todas as idades. A visita poderá ser feita de forma individual ou durante as visitas mediadas por educadores do Museu da Justiça.

As Rádios Nacional e CBN são parceiras da exposição, realizada pela Divisão de Difusão da Memória Judiciária e Educação Patrimonial do Museu da Justiça (DIDEP), unidade vinculada à Diretoria-Geral de Comunicação Institucional do TJRJ.