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Liberdade, a imagem que o sonho alimenta

  Com a licença da mãe Oxum e do pai Oxalá, Henrique Esteves  vai abrindo a porteira da sua Aruanda de imagens suficiente para brilhar com sua estética de energia comovente da representação do eu no rito de passagem do sagrado cotidiano, num descarrego - roda de fogo para lavar a alma e fazer uma verdadeira  limpeza espiritual. Abre os caminhos com sua fotografia que explora o contato com a ancestralidade de nossas matrizes étnicas, com damas da noite e todos os caboclos espalhados Rio acima, lua abaixo pelas encruzilhadas da cidade maravilhosa. Mergulha no espaço, numa amplitude da tradição, transposta para o sincretismo religioso com guias e protetores das tendas cheias de giras, batendo a cabeça e os pés numa percepção que as experiências não podem ser reproduzidas, residindo na esfera espiritual, num passe mágico, cantando e construindo pontos riscados no chão do imaginário social que habita o inconsciente coletivo da memória do povo divino da luz radiante. Lembrando os poetas herdeiros da cultura popular politizada: "Liberdade, liberdade! Abra as asas sobre nós, e que a voz da igualdade seja sempre a nossa voz". * Com este espírito libertário Henrique Esteves apresenta o resultado de sua máquina que não desafina, quebrando o lado servil como um Exu mensageiro barulhento e silencioso das imagens, um Ogã batalhador que quer falar o que sente. Lutador guerreiro da mata virgem na selva de pedra, teimoso como as ondas do mar, contra as injustiças e preconceitos direcionados às religiões afrodescendentes desde os primeiros raios e flashes da manhã tropical brasileira.

  Avante, nesta luta por "respeito e liberdade essas palavras que o sonho humano alimenta/que não há ninguém que explique/e ninguém que não entenda", como dizia Cecília Meireles. Henrique Esteves aponta suas lentes para escrever com luz, numa oferenda generosa de fé que não costuma falhar, e eu tenho certeza que vai nos iluminar até o assentamento do cruzeiro das almas na fonte da vida eterna. Oxalá, Evoé!