Exposição com obras de detentos no TJRJ ressalta importância da reinserção social
Notícia publicada por Assessoria de Imprensa em 03/12/2018 14:24

Acostumadas aos corredores longos, e com placas de informação das serventias do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), as pessoas que transitavam na manhã desta segunda-feira, dia 3, pelo Fórum Central se surpreenderam. Elas interrompiam seus trajetos ou aproveitavam a espera pelos elevadores, para conferir os quadros e artesanatos que estão expostos no 3º andar do prédio, na mostra Lutando Pela Vida: Arte em Liberdade. As obras ficarão no local durante a Semana da Justiça, do dia 3 ao dia 7 de dezembro.

O presidente do Instituto Brasileiro Lutando por Vidas, Jorge Turco, agradeceu a oportunidade de apresentar os trabalhos, que são feitos por internos do sistema prisional do estado do Rio. Para ele, as artes podem oferecer um recomeço para pessoas distantes do convívio social e que encaram a falta de oportunidades quando deixam o presídio.

“O Tribunal de Justiça tem uma confiança muito grande no nosso projeto, sempre de braços abertos. Nós acreditamos que as pessoas podem mudar, podem escolher uma nova vida e é importante saber que a gente pode contar com as parcerias certas para ajudá-las nesse processo de transformação”, destacou.

O juiz titular da Vara de Execuções Penais (VEP), Rafael Estrela, também ressaltou os benefícios da parceria firmada entre o TJ do Rio e o Lutando por Vidas. Admirador dos objetos criados nas oficinas do Arte em Liberdade, guarda com carinho um presente especial que recebeu.

“A gente precisa apostar na reinserção social dos apenados e devemos trabalhar para recebê-los. Eu guardo no meu gabinete um barco com as cores do Botafogo que recebi de presente, feito por um apenado que participa do projeto. Como bom botafoguense supersticioso, vou levá-lo para onde eu for, já que o time venceu quatro partidas seguidas depois que eu deixei ele na minha sala”, contou, para a diversão dos presentes.

O Arte em Liberdade nasceu a partir dos trabalhos de Livaldo da Silva. Internado com tuberculose no presídio Muniz Sodré, montou um barco para seu filho, enquanto terminava o tratamento. O subdiretor do presídio viu o barco e gostou da peça. A partir daí, Livaldo ganhou um espaço para trabalhar, motivando outros detentos a participarem. A parceria com o Lutando por Vidas surgiu quando Jorge Turco conheceu a irmã de Livado, Luciane, em um evento no TJRJ.

“Depois de fazer escolhas erradas na vida, hoje meu irmão é um grande homem. A gente precisa criar caminhos que ofereçam uma chance de mudanças e formular projetos que ocupem a mente desses homens enquanto estão presos”, disse Luciane.

Integrante de um programa do Lutando por Vidas que trabalha apenas com egressos do sistema prisional, Fernando Henrique Ferreira também defendeu iniciativas que ofereçam apoio e oportunidades de recomeço aos presidiários. Ex detento, agora pastor, ele lembrou casos que vivenciou para fazer um apelo.

"Conheço histórias de jovens que tiveram a chance, fizeram sua parte e se reintegraram, mas de outros que não aproveitaram. É preciso ter confiança que as pessoas podem se transformar e a gente deve estender a mão e dar oportunidades para aqueles com vontade de melhorar", ressaltou.

As obras também ficarão expostas nos fóruns de Campo Grande, na Zona Oeste da cidade do Rio, em São João de Meriti, na Região Metropolitana do estado, em Nova Friburgo, na Região Serrana, e no Tribunal Regional Federal da 2ª Região TRF-2. 

 

JGP/PC

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