Presidente do TJRJ participa do lançamento do projeto Pedofilia: Aprender para se Defender
Notícia publicada por Assessoria de Imprensa em 04/11/2019 21:54

O presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, desembargador Claudio de Mello Tavares, participou nesta segunda-feira (4/11), de uma audiência pública para o lançamento da campanha Pedofilia: aprender para se defender!". O evento, que conta com o apoio da prefeitura e da Câmara Municipal de São Gonçalo, foi realizado na sede da OAB daquele município reunindo magistrados, policiais, psicólogos, advogados, professores e outros profissionais que podem contribuir para combater esse tipo de crime.

- Chama atenção, no cenário globalizado atual, a existência de autênticas teias organizadas de criminosos voltados à exploração sexual de crianças. Isso, evidentemente, desperta nossa atenção para a urgência de uma investigação administrativa e judicial capaz de surpreender tais grupos. (...). Uma saída, por exemplo, já autorizada em outros estados pelo STF, é a remessa desses processos criminais às Varas da Infância e da Juventude. (..) Com a graça de Deus, avançaremos rumo a um Rio de Janeiro em que as crianças e os adolescentes possam guardar sua inocência e seus sonhos intactos - disse o presidente do TJRJ.

O vereador Alexandre Gomes - que convocou a audiência pública e entregou ao presidente do TJRJ uma Moção de Aplausos em nome do Legislativo gonçalense - abriu a solenidade informando dados da CPI da pedofilia instalada no Senado em 2018: 95% dos que abusam sexualmente de crianças e adolescentes são conhecidos deles e 65% são parte a família da vítima. Quase 99% são homens.

- Uma em cada três meninas denuncia o abuso e apenas um em cada 100 meninos - disse ele, deixando claro que pedofilia não tem cura por não ser uma doença.

O presidente da OAB/SG, Eliano Enzo, falou em seguida sobre a importância de os pais conversarem com os filhos sobre a existência de pedófilos:

- Nem todos os pais têm coragem de conversar com os filhos sobre isso, mas é só através do conhecimento que a criança vai saber se defender.

Mesma posição foi adotada elo prefeito de São Gonçalo, José Luiz Nanci:

- Esse projeto é muito importante para que as famílias aprendam a se proteger - frisou.

A escritora Maura de Oliveira contou que foi vítima de abuso quando criança e que só viu uma saída quando uma professora conversou com ela após perceber que ela chorava muito na hora de voltar para casa:

- Nós precisamos de adultos saudáveis e, para isso, precisamos cuidar das nossas crianças - disse, observando que muitas crianças e adolescentes vítimas de pedófilos entram em depressão podendo se automutilar e até mesmo cometer suicídio.

A psicanalista Quezia Carvalho Tebet foi clara:

- Pedofilia não é sem-vergonhice apenas, mas também não é doença. Ninguém nasce pedófilo, a pessoa se torna pedófila. Por isso a importância de conversar com a criança em casa e na escola sobre pedofilia e sobre sexo. Na linguagem dela e respeitando a idade de cada uma. O pedófilo sabe o que faz e planeja os atos dele. Sua cognição funciona muito bem. A diferença está nos sentimentos. O cérebro do pedófilo não reage a uma série de emoções.

A delegada Paula Mary Reis, da Polícia Federal, falou em seguida frisando que não existe uma espécie de perfil do abusador:

- Não há como traçar esse perfil. Normalmente são homens, mas existem mulheres também. Não há sexo definido, nem religião, nem raça ou tipo físico nem classe social. É um problema muito sério. Se a criança foi abusada é porque a família falhou, e vai falhar novamente se não ajudá-la. O silêncio sempre vai proteger o abusador, nunca a criança. As vítimas devem ser ouvidas porque, muitas vezes, o depoimento delas é a melhor prova contra o pedófilo - disse, contando já ter trabalhado em casos em que as vítimas são bebês e que muitos sofrem rompimento de órgãos internos e de doenças sexualmente transmissíveis.

Emerson Brant, policial civil do DCAV, contou que, todos os dias, escuta depoimentos de crianças vítimas de abusos sexuais:

- É muito importante que todos estejamos unidos contra esse tipo de violência. Temos que falar sobre prevenção porque, quando os sinais e sintomas aparecem, o abuso já aconteceu. É importante que a criança saiba se defender e a casa da vítima costuma ser o local mais perigoso para ela. Os pedófilos estão se organizando no mundo todo em organizações para troca de informações e estão reduzindo a idade de suas vítimas. Cerca de 20 mil fotos de pornografia infantil são postadas na internet por semana; existem cerca de um milhão de sites de pedofilia.

Também participaram da mesa do evento os desembargadores Fábio Dutra e Ivone Caetano, o professor Marcelo Conceição, a delegada Juliana Emerique, o delegado Adilson Palácio, entre outros.

 

Fotos: Luiz Henrique Vincent

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