De Tribunal do Júri a espaço de arte e cultura: CCMJ conquista visitantes a cada dia
Notícia publicada por Assessoria de Imprensa em 01/01/2020 07:00

Por si só um prédio histórico, o Palácio da Justiça, sede do Museu da Justiça – Centro Cultural do Poder Judiciário (CCMJ) abriga um acervo repleto de processos e documentos que contam a história do Rio de Janeiro e do Brasil. Espaço de difusão do conhecimento e dos valores do Judiciário, o Museu recebeu quase 23 mil pessoas até novembro deste ano. O número é mais do que o dobro do ano passado.

Este é o melhor resultado da série histórica, iniciada em 2017. O cuidado em elaborar diversas atividades culturais, como exposições, debates, visitas mediadas e apresentações, foi destacado pelo diretor do Museu, Sergio Ricardo Von Sydow, como um dos motivos para o grande número de visitantes.

- Buscamos parcerias para trazer novos programas e atrair o público, além de aumentar o número de sessões das atividades. E com mais oferta de atividades, como a “Da Pedra ao Palácio”, de visita mediada, as pessoas conhecem o Museu e começam a frequentá-lo – explicou.

Uma das novidades na programação foi o ‘Música no Museu’, a maior série de música clássica do país, que há mais de duas décadas promove concertos nos cinco continentes. Mas as inovações incluíram ainda a I Feira Literária da Magistratura, em parceria com o Instituto dos Magistrados do Brasil, com obras não jurídicas escritas por magistrados e títulos indicados por eles; e a parceria com o Instituto Goethe, da Alemanha, para montar a exposição “O Poder das Emoções”, um painel sobre manifestações e sentimentos que marcaram os 100 anos da República alemã.

Outra atração que impulsionou os números do CCMJ foi o “Caminhos do Brasil-Memória”, que uniu onze museus e centros culturais do centro do Rio para contar a história da cidade.

- A parceria com outras dez instituições disseminou nosso trabalho, deu mais visibilidade às nossas atividades. A resposta foi positiva, com uma presença muito boa em todos os eventos e exposições que apresentamos – exaltou.

Exposições

De acordo com a proposta de um museu moderno, que abriga não só um acervo histórico, como também tem a missão de discutir a atualidade por meio de projetos sobre temas contemporâneos, o CCMJ abrigou exposições de grande repercussão, todas gratuitas.

Para destacar o papel da mulher na sociedade, o museu relembrou a participação feminina na elaboração da Constituição de 1988 através da mostra ‘Mulheres, a hora e a voz – Direitos, conquistas e desafios’. A exposição foi disposta propositalmente no Salão dos Passos Perdidos, antessala do histórico Tribunal do Júri, para que os visitantes pudessem confrontar os bustos dos advogados e refletir sobre a luta das mulheres em um espaço dominado por homens.

A exposição fotográfica ‘Nunca me calarei’, do artista Márcio Freitas, apresenta o rosto de mulheres brasileiras que sofreram agressões, assédios e abusos sexuais. Focando nos olhares de dor e medo, o artista propõe a reflexão para além das marcas físicas da violência de gênero e incentiva as mulheres a não se calarem sobre os abusos.

O artista plástico Alexandre Pinhel apresentou “Absurdos Insustentáveis – A arte como agente transformador do meio ambiente”. O trabalho reúne cds antigos, sacos plásticos, vidros e outras peças quebradas que foram unidas por processos químicos, físicos e mecânicos para se tornar obras de arte.

- A gente busca e propõe o diálogo e a reflexão como forma de prevenção. Mostramos uma Justiça acolhedora, que trabalha com a prevenção, educação e contribui, assim, com a pacificação social – explica o diretor.

Os trabalhos com perspectiva social renderam elogios e prêmios. Em setembro, o CCMJ recebeu o selo social da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos do Rio, entregue às entidades comprometidas com a responsabilidade social e cultural. A entrega do certificado é motivo de celebração para o diretor do Museu, que ressaltou os princípios e os deveres da instituição.

- Direitos Humanos são parte constante da nossa pauta, um norte do CCMJ. Nosso dever é disseminar valores do Judiciário e a transformação social através da memória, cultura, arte e educação – pontua Sergio Ricardo Von Sydow.

A participação no ‘Festival Desculpe Incomodar’ foi um símbolo que marcou a entrega do selo. No evento, realizado em outubro, que defende a emancipação de pessoas de rua e em situação vulnerável, o CCMJ fez duas apresentações: a oficina do Teatro do Oprimido, método artístico que busca a transformação da realidade social ao democratizar a produção teatral, e também e a Orquestra Verde, montada a partir de instrumentos recicláveis.

-É mais uma forma de contribuir, mais uma oportunidade criada para dar visibilidade à essas pessoas. Elas ficaram emocionadas e agradecidas, porque diziam ser ignoradas e não estavam acostumadas com essa atenção, tratamento e carinho – pondera o dirigente.

Atividades como a realização de júris simulados, engajando magistrados do Tribunal de Justiça do Rio com o Centro Cultural, o Clube de Leituras do Palácio e o Projeto Jovens Cientistas, que formou sua primeira turma neste ano, aproximaram as pessoas do Tribunal. De acordo com Sergio Von Sydow, frequentar as dependências do Museu como uma extensão do TJ destinada a expandir o conhecimento resultam numa maior compreensão de direitos e deveres da população:

- As pessoas têm a oportunidade de conhecer o Judiciário, entender como funciona, como trabalha e acreditar nele. Não pode fazer justiça com as próprias mãos, é preciso confiar no trabalho da Justiça que, antes de tudo, é uma instituição defensora dos direitos.

História à vista

A digitalização do acervo e mostras com arquivos históricos, como ‘Da Resistência à Liberdade – O protagonismo do escravo’, com documentos judiciais que relatam a luta pela liberdade e dignidade das pessoas escravizadas e os autos do processo da morte de Angela Diniz pelo companheiro Doca Street, um dos crimes mais famosos do país, elevaram também o número de pesquisadores, historiadores e estudantes lançando mão do CCMJ como objeto de pesquisas. Foram quase mil pesquisadores que buscaram os acervos do Museu da Justiça durante 2019. Só em agosto foram 178, mais da metade do ano passado inteiro.

Euclides da Cunha

No início de dezembro, a exposição que relembra os 110 anos da morte do escritor Euclides da Cunha, montada a partir dos arquivos oficias sobre seu assassinato e inventário, deu prosseguimento à proposta de abrir e compartilhar documentos que fazem parte da história nacional. Pela internet, é possível também acessar a galeria de presidentes do TJRJ, com imagens e biografia dos líderes dos diferentes tribunais sediados na cidade, desde o período colonial, passando pelo Império, o Rio como capital do Brasil no período republicano e os dias atuais.

- Em 2019, o acervo em exposição no Antigo Palácio da Justiça do Rio foi identificado pela primeira vez com o código QR Code, que permite que o visitante ou pesquisador possa obter mais informações sobre a pessoa, local ou objeto pesquisado, bastando para isso que o celular esteje conectado à Internet. As informações estão disponíveis em português e inglês – destacou o diretor.

Para 2020 já está programada uma exposição sobre a Insurreição de Vassouras, um dos mais importantes episódios de rebelião de escravos do Brasil Império, com a criação do quilombo comandado por Manoel Congo. A ideia, além de consolidar as parcerias, é também fortalecer e investir em projetos originais, fazendo o intercâmbio com a unidade de Niterói, que recebeu mais de duas mil pessoas em 2019.

- O desafio é sempre inovar, criar programas que provoquem o público e se comuniquem com a sociedade. Vamos seguir elaborando atividades que mostrem o papel do Poder Judiciário e sua missão – concluiu.

JGP/FS