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Perigosas Damas expõe o silenciamento e a punição de mulheres no Brasil
Notícia publicada por Secretaria-Geral de Comunicação Social em 08/04/2026 13h12

A imagem mostra uma cena teatral intimista. No centro, uma mulher está em pé, sob um foco de luz, com expressão séria e introspectiva. Ela veste um figurino marcante, com meia arrastão, botas, saia e blusa com transparências. O cenário ao redor é escuro e artístico, com paredes grafitadas e diversos papéis espalhados pelo chão. Há também folhas e fotografias penduradas por fios. Pequenos bancos de madeira compõem o espaço cênico. A iluminação destaca a atriz, deixando o restante do ambiente em penumbra. Parte do público pode ser vista nas laterais.

                                                   Atriz Geovana Pires em cena durante a primeira apresentação da peça Perigosas Damas 

“Toda lágrima devia virar palavra”. Antes mesmo de começar, a atriz Geovana Pires já dava o tom da peça Perigosas Damas, puxando em coro o público que encheu a Sala Multiuso do Edifício Desembargador Caetano Pinto de Miranda Montenegro. 

“Esse é um espetáculo que, a partir de uma exaltação da liberdade, aprofunda as violências e muitas feridas abertas que nós, mulheres, temos desde sempre”, definiu a atriz sobre a montagem, que estreou no programa Justiça em Cena, do Centro Cultural do Poder Judiciário (CCPJ), nesta terça-feira, 7 de abril. 

A peça é uma adaptação do livro História de um Silêncio Eloquente: Construção do Estereótipo Feminino e Criminalização das Mulheres no Brasil, de Thaís Dumêt Faria. 

Com interpretação de Geovana Pires e direção de Denise Stutz, a montagem leva ao palco memórias de mulheres que foram encarceradas em manicômios, conventos e prisões por desafiarem os padrões de sua época. O espetáculo articula poesia, teatro e música. 

Segundo a atriz, a peça, construída majoritariamente por mulheres, dialoga com diferentes camadas sociais. Ela afirmou que, como contadora de histórias, precisa partir de uma verdade absoluta ao narrá-las e destacou que o trabalho coletivo feminino contribuiu para potencializar a forma como essa história é contada. 

A imagem mostra uma cena de apresentação teatral em um ambiente intimista. No centro, uma mulher segura um microfone e sorri enquanto interage com o público, apontando para alguém na plateia. Sua expressão é descontraída e envolvente. Ela veste um figurino marcante, com meia arrastão, saia com bolsos e uma blusa com transparência. A iluminação colorida, com tons de roxo e azul, destaca a atriz. Ao fundo, há um cenário com tecidos grafitados e diversos papéis e fotografias pendurados por fios. Parte da plateia aparece em primeiro plano.

                                                                   A peça fará mais três apresentações na Sala Multiuso: dias 8, 14 e 15 de abril

“Por que as mulheres eram presas? Porque eram livres e exerciam a liberdade. No ímpeto de liberdade, elas eram contidas em conventos, hospitais psiquiátricos e até nas próprias casas por terem gostos, opiniões e viverem. Essa é uma peça que precisa exaltar a liberdade para poder falar da prisão”, afirmou. 

Em cena, a montagem combina narrativas reais com versões em rap de poemas de Elisa Lucinda para abordar temas como sexismo, opressão e liberdade, propondo uma reflexão sobre acolhimento e resistência. 

Outras datas 

Perigosas Damas será reapresentada nos dias 8, 14 e 15 de abril, às 18h30, na Sala Multiuso do Edifício Desembargador Caetano Pinto de Miranda Montenegro. Os ingressos para as demais sessões já estão esgotados. 

VS/ SF

Fotos: Rafael Oliveira/TJRJ