Exposição fotográfica no Tribunal de Justiça celebra 25 anos do programa Replantando Vida
A exposição traz diversas fotos do projeto no decorrer dos anos
“Semear dignidade. Restaurar paisagens. Transformar destinos.” Essa é a missão central do projeto Replantando Vida, iniciativa da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae), que é tema de uma exposição em cartaz no Salão dos Magistrados da Biblioteca do Tribunal de Justiça e da Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ/Emerj), inaugurada nesta quarta-feira, 8 de abril, e aberta ao público pelos próximos dois dias.
A mostra fotográfica "Replantando Vida – 25 Anos Semeando Futuros" celebra uma política pública que se tornou referência ao unir ressocialização e restauração ambiental. Realizado em parceria com a Vara de Execuções Penais (VEP), a Fundação Santa Cabrini e a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), o programa é hoje o maior empregador de mão de obra prisional do Rio de Janeiro, contando com cerca de 550 trabalhadores ativos.
Uma trajetória de crescimento e impacto
O projeto nasceu em 2001 com um grupo de 30 a 40 pessoas. Ao longo de duas décadas e meia, o Replantando Vida já contribuiu para transformar a trajetória de mais de seis mil pessoas que passaram pelo sistema prisional. Desde a sua criação, a iniciativa acumula mais de quatro milhões de mudas produzidas e cerca de 2.500 hectares de áreas restauradas.
Criado há 25 anos, o projeto já restaurou cerca de 2.500 hectares de área florestada
O responsável à frente do projeto e gerente de restauração ambiental da Cedae, Alan Henrique Marques de Abreu, destaca a partir desses números o potencial da iniciativa como um instrumento de ressocialização e transformação social. “O projeto mostra que existe um jeito diferente de a gente fazer justiça. As pessoas cometeram um erro, foram presas, mas, por meio de oportunidade, capacitação, geração de renda e inclusão social, podemos ter um modelo de trabalho e cumprimento de pena que seja sustentável e tenha um sucesso maior”, afirmou.
Versatilidade e qualificação profissional
A exposição detalha a cadeia produtiva estruturada no âmbito do programa. Além do reflorestamento, que inclui desde a coleta de sementes até o plantio e manutenção, os participantes atuam na fabricação de uniformes, manutenção predial, construção civil e apoio operacional. O programa conta ainda com três viveiros instalados em unidades prisionais, garantindo que mesmo aqueles que ainda não têm acesso ao trabalho externo possam participar das atividades e receber capacitação profissional.
Além do reflorestamento, os participantes do projeto também aprendem técnicas como coleta de sementes, plantio e manutenção
No âmbito do TJRJ, além da Vara de Execuções Penais, a iniciativa também conta com o apoio da Secretaria-Geral de Sustentabilidade e Responsabilidade Social (SGSUS), parceira do programa há mais de 10 anos. A cooperação se baseia em ações socioambientais conjuntas, como doação de mudas, capacitação e promoção da ressocialização com remição de pena.
“É um projeto que, além de dar ao condenado a possibilidade de remição de pena, contribui para a restauração das nossas matas e para a captura de gás carbônico”, afirma o diretor do Departamento de Sustentabilidade (Desus) da SGSUS, Luiz Felipe Fleury Correa.
Os representantes do TJRJ Luiz Felipe Fleury Correa e Cláudia de Sá Cardoso Schkrab; do Programa Fazendo Justiça, do CNJ, Mariana Leiras; e, da Cedae, Alan Henrique Marques de Abreu
Semana da Cultura no Sistema Prisional
A exposição faz parte da Semana da Cultura no Sistema Prisional, integrada ao roteiro "Horizontes Culturais", uma estratégia nacional do programa Fazendo Justiça, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e apoio da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen).
Exposição faz parte da Semana da Cultura no Sistema Prisional, integrada ao roteiro "Horizontes Culturais"
VM/IA
Fotos: Brunno Dantas e Rafael Oliveira/TJRJ