Projeto Violeta é inaugurado em Volta Redonda
Brinquedoteca foi preparada para receber filhos de vítimas de violência
O Projeto Violeta foi inaugurado no Fórum Desembargador Abeylard Pereira Gomes, no Município de Volta Redonda, nesta quarta-feira, dia 15 de abril. A iniciativa é ligada ao Núcleo de Promoção de Políticas Especiais de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar (Nupevid), do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). A ação tem por objetivo garantir a segurança e a proteção de mulheres vítimas de violência doméstica e familiar, acelerando o acesso à Justiça.
Representando a coordenadora da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Coem), desembargadora Adriana Ramos de Mello, a juíza Katylene Collyer Pires reafirmou o papel do projeto durante a inauguração. “A gente sabe que um feminicídio não nasce do dia para a noite. Os comportamentos agressivos são um sinal de alerta logo no início de um relacionamento. É necessária a existência de um lugar seguro, como o Protejo Violeta, para acolher e apoiar a vítima”.
Pensando em atender as vítimas diretas e indiretas, a sala do projeto tem um espaço reservado às crianças que acompanham às mães, disse o magistrado do Juizado da Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher e Especial Criminal da Comarca de Volta Redonda, Flávio de Almeida. “A maioria dessas mulheres assumem toda a responsabilidade pela criação dos filhos. Alguns presenciaram situações de violência contra a mãe. Ter uma sala estruturada, colorida, com brinquedos, ampara eles”.
Os juízes Flávio de Almeida e Katylene Collyer promoveram uma reunião de articulação para tecer rede de enfrentamento à violência no município
O Projeto Violeta busca agilizar o processo em poucos passos. A vítima faz o boletim de ocorrência, que é encaminhado imediatamente a um juízo. Após ser ouvida e orientada por uma equipe multidisciplinar de assistentes sociais e psicólogos do Juizado, ela sai com uma decisão judicial em mãos.
Articulação em rede
Após a inauguração do Projeto Lilás, representantes do Poder Judiciário, do executivo e da Polícia realizaram uma reunião no auditório do Fórum de Volta Redonda. Os juízes Katylene Collyer e Flávio de Almeida acentuaram a necessidade de promover uma articulação em rede entre as instituições públicas para estabelecer um fluxo de atendimento efetivo às vítimas.
Segundo a delegada titular da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) em Volta Redonda, Juliana Montes, a conexão entre as instituições é o que garante a redução do crime. “Em todo o combate à criminalidade, a integração entre forças é primordial. No enfrentamento à violência doméstica, ela assume um peso maior, pois o perigo é alguém de dentro da casa. A denúncia é o primeiro passo. No entanto, é necessária uma rede jurídica e assistencial para orientar a mulher a quebrar o ciclo de violência”.
De acordo com a subsecretária da Secretaria Municipal da Mulher de Volta Redonda, Juliana Rodrigues, a comunicação entre os poderes pode auxiliar no alinhamento das ações. “O Poder Judiciário e o Executivo têm competências e funções diferentes. Mas, eles podem e devem se complementar, planejando políticas públicas que acolham as vítimas e evitem a revitimização”, destacou.
KB/SF
Fotos: Rafael Oliveira/TJRJ