Visita mediada promove passeio pela arquitetura do Museu da Justiça
Auditores magistrados de Angola e representantes do Tribunal de Justiça de Rondônia participam de visita mediada ao Museu da Justiça
“A arquitetura pode funcionar como um elemento marcador cronológico fundamental, mas ela é, acima de tudo, uma expressão de arte que nos permite transitar pela obra. Em edifícios como esse, temos a possibilidade não só de estar em contato visual, mas de interagir com ela no seu interior, de experienciar esses espaços e construções, quase como um cenário.”
Foi dessa forma que a historiadora Lydia de Carvalho Coelho iniciou a visita mediada “Desvendando a Arquitetura do Museu da Justiça”, que aconteceu na tarde desta terça-feira, 11 de novembro, e promoveu um grande passeio pelos espaços e elementos históricos do Edifício Desembargador Caetano Pinto de Miranda Montenegro, o antigo Palácio da Justiça.
Ainda de acordo com Lydia, a construção finalizada em 1926 carrega um estilo eclético e serviu como símbolo para legitimar a República, ainda muito recente naquela época, e seus espaços de poder diante da sociedade. Logo na entrada, as estátuas Lex e Justitia, que representam as deusas Diké e Têmis, respectivamente, exemplificam o ecletismo e simbolizam as diferentes formas de atuação do Poder Judiciário. “Têmis representa os costumes, a lei divina. Diké, por outro lado, é a lei dos homens, que passa a existir a partir da escrita”, concluiu a historiadora.
Historiadora Lydia de Carvalho Coelho apresentou detalhes da arquitetura do Museu aos visitantes
A visita seguiu pelo Salão dos Passos Perdidos e de lá rumou para o antigo Tribunal do Júri, dando ênfase para os seus belos vitrais, onde a deusa Têmis é novamente representada, além dos detalhes que se espalham por cada canto do espaço que até 2009 ainda recebia sessões do Júri, sendo finalizada no Tribunal Pleno. Entre os olhares atentos, um grupo de auditores magistrados de Angola que participa de atividades na Escola da Magistratura do Rio de Janeiro (Emerj) participou da visita justo na data em que o país celebra 50 anos de sua independência. Para Adão Luciano, um dos auditores magistrados, essa foi uma boa coincidência.
“Penso que, às vezes, as coincidências têm um significado muito grande. Hoje fomos convidados para visitar o Museu da Justiça e, coincidentemente, é o Dia da Independência de Angola. E independência é história, é contato com os nossos antepassados, com os lugares, com o significado que cada símbolo representa. E para mim, de modo particular, foi muito bom aprender sobre esse contraste que existe nos desenhos, nos símbolos. Cada detalhe que esse Museu da Justiça representa me levou a visitar o tempo clássico, mas também a era moderna... Eu estou num lugar, mas é como se tivesse viajado no passado e compreendido a historicidade, a filosofia, o modo como os autores desses desenhos olhavam o mundo e enxergavam a Justiça naquela época.”
Além dos auditores magistrados angolanos – que participam de cursos especiais para suprir a necessidade de magistrados no país - a atividade também contou com representantes do Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO), que vieram ao Museu da Justiça em busca de referências que serão aplicadas no Centro de Memória daquele Tribunal.
Para a diretora do Museu, Siléa Macieira, o olhar arquitetônico é uma oportunidade para atrair novos visitantes. “É um motivo de orgulho estar lançando esse novo programa, que aprofunda as visitas já proporcionadas pelo Museu e atrai um novo público, indo além do aspecto jurídico”.
PB*/SF
*Estagiário sob supervisão
Fotos: Rafael Oliveira/TJRJ