Entre sorrisos e lágrimas de emoção, 53 casais dizem ‘sim’ no Casamento Comunitário do Tribunal de Justiça
Esta foi a terceira edição do Casamento Comunitário realizado este ano
Em meio a sorrisos, flores e muita emoção, cinquenta e três casais disseram “sim” no Casamento Comunitário do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). O evento, realizado nesta quarta-feira, 12 de novembro, transformou o Auditório Desembargador Antônio Carlos Amorim, no Fórum Central, em um grande encontro de cidadania e de histórias de amor que, agora, receberam um reconhecimento oficial.
Coordenada pela Secretaria-Geral de Sustentabilidade e Responsabilidade Social (SGSUS), a iniciativa chegou à sua terceira edição neste ano, tendo convertido centenas de uniões estáveis em casamentos civis de casais em situação de vulnerabilidade econômica.
Entre eles estavam Simone e Flávio, de 53 e 48 anos, que já são “da casa”. Juntos há quase 21 anos e pais de dois filhos, ambos trabalham no setor de limpeza do Tribunal e, vira e mexe, conseguem “aproveitar um cafezinho juntos na hora de almoço”. Cercados por colegas e familiares, oficializaram sua união em meio a muita emoção. “Nós moramos juntos e estamos casados há muito tempo, mas sem estarmos casados ‘oficialmente’. Então a gente sentia, tanto ela quanto eu, uma certa frustração já que não víamos a hora de estarmos casados no papel. Graças a Deus, esse dia finalmente chegou, e, agora, me sinto muito feliz por estar ao lado da minha esposa”, contou Flávio.
Simone (ao centro) e Flávio (segundo da direita) trabalham juntos no setor de limpeza do Tribunal
Além deles, outro casal que também tem história com o Tribunal de Justiça, mas por uma razão diferente é Lorena e Paulo César, de 35 e 39 anos. Eles estiveram presentes no último casamento comunitário, realizado em agosto, mas não conseguiram oficializar a união. O motivo, no entanto, foi mais do que especial: Lorena entrou em trabalho de parto e precisou correr para o hospital. Agora, três meses depois, com o pequeno Lucas nos braços, o casal finalmente conseguiu realizar esse sonho. “Quando chegamos na Catedral, eu estava doida para ir ao banheiro. Quando cheguei lá, vi que, na verdade, minha bolsa tinha estourado. A partir daí foi uma correria, saí de maca, no meio da igreja, direto para a ambulância do Samu. As pessoas me acalmando, falando: ‘Calma, vai dar tudo certo, vocês vão voltar, vocês vão casar’. Acho que faltava o principal, que ela não estava”, contou, referindo-se à filha de quatro anos, Yasmin. “E ele ainda estava na barriga. Acho que eles quiseram estar presentes hoje. Foi uma loucura, foi difícil, mas também foi muito emocionante”, disse Lorena.
Lorena, Lucas, Paulo César e Yasmim viajaram da Região dos Lagos para estarem no casamento hoje
“Nós completamos 13 anos juntos no dia seguinte ao nascimento dele, então, para a gente, apesar do susto, foi uma realização. Acho que estava mesmo planejado para ser assim, para eles estarem com a gente aqui hoje”, completa Paulo.
Já a história de Sarah e Luciana, de 38 e 40 anos, começou há 12 anos, quando se conheceram no trabalho. Ao falar sobre o significado do dia, com lágrimas de emoção nos olhos, Sarah, que trabalha como recepcionista, destacou a importância do casamento civil para garantia de direitos.
Casamento civil como garantia de direito
“Uma união homoafetiva, mesmo com uma união estável já registrada, ainda enfrenta muitas barreiras no âmbito do Direito Civil. É muito mais complicado reunir provas e convencer alguém a reconhecer a relação. Então, o casamento civil é isso, é garantia de direito. Se um dia eu faltar, a Luciana não ficará desamparada e, se um dia ela faltar, eu também não ficarei desamparada.”
Sarah e Luciana se conheceram 12 anos atrás e, hoje, disseram “sim”
Para a realização das cerimônias, quatro magistrados participaram do evento. Entre eles, o juiz de direito da 17ª Vara Cível da Capital Antônio Luiz da Fonseca Lucchese. Ele afirmou que o casamento comunitário é a “ação social mais bonita do Tribunal de Justiça”. Além dele, também participaram os juízes Eric Scapim Cunha Brandão, Ane Cristine Scheele Santos e Gilberto de Mello Nogueira Abdelhay Júnior.
“Esse deve ser o vigésimo casamento comunitário que eu realizo. Acho que essa é a ação social mais bonita do Tribunal de Justiça, porque aqui todos dizem ‘sim’. É um momento de celebração, em que confraternizamos com alegria e amor. Entendo que este é um dos grandes prazeres da magistratura. Hoje é um dia em que todos nós saímos leves, felizes e agradecidos por poder participar de um dos momentos mais especiais da vida de vocês”, afirmou o juiz Lucchese.
VM/IA
Fotos: Brunno Dantas / TJRJ