Tribunal realiza evento para conscientizar servidores sobre capacitismo e inclusão social
Cerca de 100 servidores, colaboradores e funcionários acompanharam a ação
Como deve ser viver sem escutar nenhum som? E sem conseguir enxergar qualquer forma? Esses são apenas alguns dos desafios enfrentados diariamente por pessoas com deficiência. Foi a partir de questionamentos como esses, e com a intenção de conscientizar servidores e colaboradores do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) sobre atitudes capacitistas e discriminatórias, que a Secretaria-Geral de Sustentabilidade e Responsabilidade Social (SGSUS) realizou, nesta quarta-feira, 19 de novembro, o evento “Se Sensibilize”.
“É uma ação voltada para o diálogo sobre barreiras atitudinais. Trabalhamos junto aos nossos colaboradores essa conscientização para que possamos romper essas barreiras, garantindo que pessoas com deficiência sejam tratadas com igualdade no ambiente Judiciário, sem que as diferenças prevaleçam ou gerem desconforto, preconceito ou qualquer forma de discriminação nos espaços de trabalho”, afirmou o diretor do Departamento de Acessibilidade e Inclusão Social (Deais), Marcio Castro de Aguiar.
A iniciativa, promovida em parceria com o programa “Abrace a Diferença”, da Subsecretaria de Políticas Inclusivas do governo do Estado, abordou um tema de grande relevância e seriedade no cenário social brasileiro atual. Ainda assim, o seminário foi marcado por momentos de aprendizagem combinados com interações, brincadeiras, risadas e bom humor.
“Já fizemos cerca de cem eventos desse tipo, para diversas instituições, e a dinâmica é bastante informal, pensada como um momento de descontração. A proposta é que as pessoas aprendam e saiam com uma boa sensação, como se tivessem vivido uma tarde leve e agradável, até mesmo para facilitar o aprendizado”, contou o superintendente de Ações para Pessoas com Deficiência da Subsecretaria, Geraldo Nogueira.
Durante a exposição, foram apresentados dados sobre a realidade das pessoas com deficiência no Brasil, além de boas práticas para a promoção da acessibilidade e da inclusão. Ao abordar as dificuldades enfrentadas pela inclusão social nos órgãos públicos, a coordenadora de Acessibilidade da Subsecretaria, Cláudia Araújo, destacou a falta de sensibilidade atitudinal — capacidade de perceber, compreender e ajustar atitudes e comportamentos para promover inclusão e respeito mútuo.
Durante a exposição, os palestrantes compartilharam vivências pessoais envolvendo atos de capacitismo
“Um dos principais desafios é a falta de sensibilidade atitudinal, porque é por meio dela que conseguimos sensibilizar e promover, de fato, a inclusão social das pessoas com deficiência. E esse programa de capacitação tem exatamente esse propósito: sensibilizar os órgãos para que tenham maior conhecimento sobre as necessidades das pessoas com deficiência e, no dia a dia, adotem um olhar verdadeiramente inclusivo”, completou a coordenadora.
Dados e ensinamentos trazidos
Segundo o Censo de 2022, existem cerca de 14,4 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, o que corresponde a 7,3% da população com dois anos ou mais. O evento também destacou que os três principais dispositivos jurídicos que garantem direitos a esse grupo são a Lei Nacional nº 13.146, conhecida como Estatuto da Pessoa com Deficiência; o inciso II do artigo 23 da Constituição Federal de 1988; e a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, da ONU, de 2006.
Além disso, foram apresentadas três orientações sobre como agir em situações que envolvam pessoas com deficiência: deve-se sempre conversar diretamente com a pessoa, sendo informado, quando necessário, caso seja preciso falar com um acompanhante; é importante pedir permissão antes de tocar ou movimentar a pessoa ou seus equipamentos, como cadeira de rodas, andador, muletas ou bengalas, que são extensões do seu corpo; e, ao oferecer ajuda, é fundamental perguntar de que forma pode ser útil. Se a pessoa recusar, isso apenas indica que não precisa de auxílio; se aceitar, é importante seguir exatamente as orientações que ela fornecer.
VM/IA
Fotos: Rafael Oliveira / TJRJ