Vozes Negras: diálogo do Centro Cultural destaca resistência, cultura e reconstrução da memória
"Vozes Negras" foi mediado por Wanderlei Barreiro Lemos e contou com a participação da atriz Soraia Arnoni; do presidente da comissão de direitos humanos da IAB, Paulo Fernando de Castro; e ator Deo Garcez
“O silenciamento das vozes negras é algo que existe e se repete desde que os pretos existem aqui no Brasil. E esse bate-papo destaca o poder da palavra do nosso povo, porque é por meio dela que nós apresentamos a nossa conduta, a nossa personalidade e mostramos para o mundo o que somos. ” Foi com essa reflexão que o presidente da Comissão de Direitos Humanos do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), Paulo Fernando de Castro, definiu a importância do evento “Vozes Negras: Consciência e Resistência”.
O Observatório de Pesquisas Felippe de Miranda Rosa (OPFMR), do Centro Cultural do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro (CCPJ), promoveu, nesta quinta-feira, 27 de novembro, mais uma edição do programa Observatório em Diálogo, realizada no Espaço Cultura na Justiça, no Edifício Desembargador Caetano Pinto de Miranda Montenegro. O debate foi mediado por Wanderlei Barreiro Lemos.
O encontro contou com a participação do presidente da Comissão de Direitos Humanos do IAB, Paulo Fernando de Castro, além dos atores Deo Garcez e Soraia Arnoni. Os artistas já estiveram presentes no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), onde encenaram peças sobre a vida do advogado Luiz Gama e de Esperança Garcia, considerada a primeira advogada do Brasil.
O encontro relembrou grandes personalidades cmo Esperança Garcia, Conceição Evaristo e Carolina Maria de Jesus
Resgate da identidade
O diálogo destacou a importância de relembrar personalidades, promover reflexão e evidenciar figuras históricas que simbolizam conscientização e resistência. Nomes como Esperança Garcia, Conceição Evaristo e Carolina Maria de Jesus foram mencionados ao longo da conversa.
O ator Deo Garcez ressaltou o papel dos movimentos sociais e das atividades culturais na reconstrução da memória. “Apesar do silenciamento, nós estamos aqui, felizmente resistindo, tendo como exemplo o movimento negro, os movimentos negros até aqui, todos os heróis e heroínas invisibilizados e que estão vindo à tona”, afirmou.
Soraia Arnoni destacou a cultura como espaço estratégico de identidade e consciência. “Quando a gente fala de cultura, a gente está falando de identidade. Quando eu escolho falar dessas personagens — Luiz Gama, Esperança Garcia — e quando a gente escolhe ir para determinados espaços e dialogar com pessoas negras, é porque a gente entende que a cultura é um lugar estratégico na formação da consciência, no despertar da reflexão e na formação do indivíduo”, completou.
A juíza Katia Cilene Bugarim também acompanhou o encontro e ressaltou a importância do debate, destacando a falta de oportunidades enfrentada por jovens meninas periféricas. “Elas têm o direito de chegar onde eu cheguei, muito antes de mim. Não é justo que essas novas gerações não consigam realizar seus sonhos. Todos nós temos o direito de concretizar nossos sonhos”, afirmou.
VS/IA
Fotos: Rafael Oliveira/TJRJ