Programa Rio Lilás chega à Baixada Fluminense
O Programa Rio Lilás, que visa a promover a prevenção da violência de gênero em ambiente escolar, alcançou um novo território nesta segunda-feira, dia 2 de fevereiro. Uma equipe da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Coem) participou de uma capacitação voltada para diretores, vice-diretores e coordenadores executivos de instituições estudantis no município de Belford Roxo, na Baixada Fluminense. O encontro fez parte da “Jornada pedagógica”, promovida pela Secretaria Municipal de Educação, e reuniu 250 profissionais.
Aberta pela coordenadora do Núcleo de Promoção de Políticas Especiais de Enfrentamente à Violência Doméstica e Familiar (Nupevid), Jacqueline Viana, a palestra foi destinada a apresentar o Programa Rio Lilás para os gestores das creches e escolas municipais. “Quando olhamos para os números, percebemos o quão grave é a violência contra a mulher. Porém, mais do que combater o ato, precisamos preveni-lo. E a escola é a base da sociedade ideal para isso. Neste ano, começaremos as visitas na Baixada Fluminense e escolhemos Belford Roxo como ponto inicial devido as questões enfrentadas pela cidade.”
Metodologias alinhadas a realidade do aluno
Falar sobre violência doméstica e familiar para crianças pode ser desafiador devido à gravidade do assunto, disse a pedagoga do Nupevid Carla Souza - mas, com leveza, respeito as idades e didatismo é possível. “Um dos nossos objetivos é contribuir para a construção de uma cultura de paz desde a infância e juventude. Para isso, preparamos materiais pedagógicos que podem ajudar: sugestões de livros, filmes, animações e podcasts, além de panfletos e jogos sobre o tema”.
Para a assistente social do Nupevid Marília Correia, o contato direto com as secretarias municipais de educação e com os profissionais da área auxiliam na expansão e êxito do programa. “Nós já visitamos muitas escolas desde que o projeto começou, em agosto do ano passado, por causa das parcerias com as instituições públicas. Percebemos o quanto a conexão entre o Poder Judiciário e a população tem aumentado e como isso ajuda os alunos a reconhecerem e prevenirem situações de violência em ambiente escolar, em casa e no bairro”.
A diretora da Creche Municipal Ursinhos Carinhosos, Ana Lussac, esteve presente no encontro e relembrou um caso vivenciado em outra unidade educativa. “Na educação infantil, incentivamos muito a conversação entre crianças e professores. Um dia, após a contação de histórias, um aluno de cinco anos falou que a mãe sofreu violência doméstica. Nós, como gestores, podemos trabalhar isso em sala de aula de uma forma mais lúdica, com músicas e histórias para acolher aquela criança, que, de forma indireta, também está sendo vítima de violência".
KB / MG
Fotos: Felipe Cavalcanti/TJRJ