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Roda de diálogos marca início de ação voltada ao acolhimento social de pessoas em situação de rua
Notícia publicada por Secretaria-Geral de Comunicação Social em 10/02/2026 09h44

                                                             Quatorze pessoas em situação de rua participaram da roda de diálogos 

“Tenho a liberdade de falar o que eu penso". Foi assim que Afonso Jova de Araújo Junior, um dos participantes da roda de conversa, descreveu sua experiência na inauguração do projeto Círculo de Acolhimento e Cidadania para Pessoas em Situação de Vulnerabilidade. Iniciativa do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) da Capital, a ação busca, por meio do diálogo, oferecer um espaço seguro e acessível, fora da estrutura formal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), para promover a cidadania e a dignidade com acolhimento e escuta ativa.

Promovido em parceria com o projeto Fraternidade na Rua, da ONG Fraternidade Sem Fronteiras, o evento ocorreu na manhã da última segunda-feira, 9 de fevereiro, na sede da instituição, localizada na Rua do Senado, 52, no Centro do Rio. No decorrer da dinâmica, os integrantes contaram suas histórias e dividiram suas perspectivas do que é necessário para a convivência com respeito, tanto no ambiente da Fraternidade, quanto no mundo “exterior”.  

O juiz titular da 1ª Vara da Família da Capital e coordenador do Cejusc da Capital, Gilberto de Mello Nogueira Abdelhay Junior, destaca que essa troca de experiências se trata de um aprendizado “dos dois lados”, gerando um olhar de empatia. “A iniciativa impulsiona a vontade de mudar a realidade dessas pessoas, de ajudá-las a progredir. E, com isso, a gente vê o quanto o Tribunal é um organismo empoderador, que pode ajudar com ações, às vezes simples, como trazer um círculo de diálogo para essa população”.

                               O juiz Gilberto de Mello Nogueira Abdelhay Junior é abraçado por um dos participantes da roda de conversas 

A força da escuta

A roda, que foi conduzida pela chefe do Cejusc da Capital Clarissa Biasotto e pela mediadora judicial Daniela Fusaro, contou com a participação de 14 pessoas em situação de rua. Uma delas foi Vallane Oliveira Roberto, de 40 anos, que, ao falar sobre sua trajetória, destaca como muitos que vivem na rua chegaram a essa situação em razão de conflitos familiares. Ela conta que possui casa e patrimônio deixados pelo pai e pela mãe, mas que ainda não conseguiu acessá-los em razão de conflitos com as irmãs.  

“Sempre tem roda de conversa aqui, mas a gente nunca pensou que fosse ser com um juiz, e ele teria interesse em saber o que a gente acha, o que a gente pensa sobre o nosso conflito. Eu acho que, se todas as autoridades, seja juiz, prefeito, governador ou presidente, fizessem isso, eles iam saber de cada morador o que sente e o que deixa de sentir”, completa Vallane.

                                                                  Vallane Oliveira Roberto foi uma das participantes da iniciativa 

Além dela, Afonso Jova de Araújo Junior, de 53 anos, destaca como a roda gerou um “sentimento de liberdade para falar o que sente e o que está passando”: “Fui sufocado por muito tempo, sendo oprimido pelo mundo aí fora, como muita gente, não só eu. Nós só queríamos ter o direito de falar o que estávamos passando, e esse projeto nos dá essa oportunidade”.

Parceria com a Fraternidade sem Fronteiras

Com relação ao funcionamento do projeto, o coordenador do Fraternidade na Rua, Rafael Almeida, conta que a iniciativa atua no Rio de Janeiro há cinco anos e atende, de segunda a sexta-feira, cerca de 100 pessoas por dia, oferecendo atividades e serviços voltados à educação e à reintegração social, como rodas de leitura e visitas a museus. “A parceria com o TJ tem tudo a ver com a proposta do Fraternidade e o trabalho conjunto é muito importante no resgate da dignidade dessas pessoas".

A partir disso, ao falar sobre a parceria, o juiz Abdelhay Junior afirmou: “Eu realmente espero que a parceria que estamos desenvolvendo gere frutos para essa população e possa servir como fonte de desenvolvimento do Cejusc para outras iniciativas com outras ONGs”.

 

VM/ MG

Fotos: Brunno Dantas / TJRJ