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Começa júri de acusados de envolvimento na morte do advogado Rodrigo Crespo
Notícia publicada por Secretaria-Geral de Comunicação Social em 05/03/2026 16h48

                                             Julgamento no III Tribunal do Júri da Capital é presidido pelo juiz Cariel Bezerra Patriota

 

Começou nesta quinta-feira, dia 5 de março, por volta de 11h, no III Tribunal do Júri da Capital, o julgamento de Leandro Machado da Silva (“Cara de Pedra e “Machado”), Cezar Daniel Môndego de Souza (“Russo”) e Eduardo Sobreira Moraes, acusados de homicídio qualificado contra o advogado Rodrigo Marinho Crespo. A vítima foi assassinada a tiros quando saía do seu escritório, no Centro do Rio, em 26 de fevereiro de 2024. O juiz Cariel Bezerra Patriota está presidindo a sessão.

Primeira testemunha a ser ouvida, Isadora Strapazzon, que vivia em união estável com a vítima havia cerca de quatro anos, afirmou que Rodrigo pretendia sair do escritório em que trabalhava por insatisfação com o sócio, Antônio Vanderler de Lima Júnior, mas destacou que não sabia de detalhes. Disse que a vítima pretendia trabalhar com legalização de bets, que tinha a intenção de se mudar para São Paulo, onde acreditava haver mais oportunidades de trabalho. A testemunha foi ouvida durante cerca de quinze minutos por videoconferência.

O delegado que presidiu o inquérito do caso, Rômulo Assis Coelho Caldas, disse que era responsável pela apuração dos homicídios ocorridos nas regiões do Centro e da Zona Sul e destacou a grande repercussão do caso na mídia. Contou ter percebido logo em um primeiro momento que se tratava de um caso de execução pela dinâmica do crime. Afirmou ter conseguido, pelas imagens das câmeras próximas, identificar dois veículos envolvidos no assassinato e, por meio deles, chegou à locadora de veículos onde foram alugados e que a empresa já locava carros para uma organização criminosa sediada em Caxias, na Baixada Fluminense, da qual posteriormente se comprovou que os três réus faziam parte. O delegado também compartilhou que as investigações apontaram que Rodrigo vinha sendo monitorado. Com a análise de documentos apreendidos na empresa e demais informações apuradas, foi possível chegar aos nomes de Eduardo Sobreira e Leandro Machado, que alugavam veículos do local. O delegado também afirmou que, durante as investigações, surgiram informações sobre possíveis conexões do caso com integrantes da contravenção no estado. Ainda segundo o delegado, um áudio apresentado durante as investigações também ajudou a esclarecer a participação de Cezar Daniel Môndego de Souza. O material indicaria que, dois dias antes do crime, Môndego esteve com um dos investigados, informação que posteriormente auxiliou na confirmação de seu envolvimento no caso.

Questionado sobre a motivação do crime, o delegado disse que nada encontrado no celular da vítima indicava que Rodrigo Crespo estivesse sofrendo ameaças ou temesse pela própria vida. Segundo ele, o advogado aparentava estar bem no plano pessoal e profissional, embora demonstrasse insatisfação com o escritório em que trabalhava. A principal linha investigativa, de acordo com o delegado, passou a considerar o interesse de Crespo em investir em negócios ligados ao setor de apostas. Segundo ele, o advogado estudava a regulamentação das chamadas “bets” e teria manifestado interesse em abrir um estabelecimento conhecido como “Sporting Bar”, um espaço onde clientes poderiam assistir a eventos esportivos e realizar apostas, além de utilizar máquinas eletrônicas semelhantes a caça-níqueis conectadas à internet. De acordo com as investigações, Crespo chegou a discutir a possibilidade de instalar esse tipo de negócio na região de Botafogo, na Zona Sul do Rio. Por fim, o delegado ressaltou que as investigações sobre a autoria intelectual do crime continuam em andamento.

Em seguida, foi ouvida Raylinne Flavia de Paula Nicodemo, funcionária da locadora Horizonte 16, onde, de acordo com as investigações, foram alugados os veículos utilizados no monitoramento da vítima. Ela disse que os carros foram alugados presencialmente pelo aposentado João Bosco de Oliveira.

O sobrinho de Rodrigo Crespo, Pedro Henrique Crespo, estava com o tio no momento da execução. Ele conta que trabalhava com a vítima desde 2015 e que, no dia da morte, saíram do escritório para fazer um lanche na rua por volta de 17h15. “Foi tudo muito rápido. Parou um carro branco e, de repente, ouvi disparos. Agachei e só me levantei quando os barulhos cessaram. Um tiro passou raspando em meu ombro”.

Pedro também disse que o tio, que era advogado cível, trabalhista e empresarial, queria se tornar especialista na área de regulamentação de jogos de apostas online. No entanto, o sobrinho afirmou desconhecer se Rodrigo Crespo pretendia investir no negócio.

Depois, foi ouvido Marcelo Flávio de Paula Silva que era um dos sócios da empresa de aluguel de carros que, segundo ele, destinou diversos veículos a João Bosco, mas quem os utilizava era Leandro Machado. O outro sócio da empresa de locação de veículos, Flavio Alves de Lima, que também prestou depoimento, afirmou que os carros eram vinculados a cada sócio e que os documentos não se cruzavam.

João Rachid da Motta, sócio de Rodrigo Crespo, afirmou que a vítima tinha interesse em entrar no mundo das apostas on-line. Contudo, uma reunião entre eles acabou frustrando os planos de Rodrigo, pois João já atuava nesse mercado em um cargo de executivo.

Outro sócio da vítima, Antônio Vanderler Júnior, relatou que não tinha nenhuma informação sobre “bets”. Mas, em conversas com Rodrigo, disse que, para colocar apostas em espaços presenciais, como em clubes de pôquer, ele teria que enfrentar a contravenção no Rio de Janeiro. Antônio afirmou ainda que não entregou o computador de Rodrigo, inicialmente, pois já havia disponibilizado o HD da máquina da vítima localizada no escritório. Segundo ele, o computador já estava desbloqueado dias após a morte da vítima quando foi ao local de trabalho.

Também prestaram depoimentos, como testemunhas, Antônio José Malhano, Ebert de Barros, Alessandra Pina, Herald Castelo Branco, Rudnei Nery e Ronaldo Melo.

Ao fim da oitiva das testemunhas, os réus Leandro Machado Silva, Eduardo Sobreira Moraes e Cézar Daniel Mondêgo de Souza apresentaram suas versões sobre o caso.

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SF/SV/MG/IA/VS/MB

Fotos: Bruno Dantas/ TJRJ