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Presidente do TJRJ participa de debate sobre prevenção ao assédio promovido pela Corregedoria
Notícia publicada por Secretaria-Geral de Comunicação Social em 25/03/2026 19h56

Os participantes estão sentados lado a lado atrás de uma longa mesa de madeira, cada um com microfone e identificação, sugerindo tratar-se de uma mesa de debate. No centro, um homem de terno escuro fala ao microfone, com expressão séria. Os demais integrantes — homens e mulheres vestidos formalmente — demonstram atenção, alguns olhando para o orador, outros para o público. Ao fundo, na parede de madeira, está escrito “Auditório Desembargador José Navega Cretton”, identificando o local. Também são visíveis bandeiras oficiais. Em primeiro plano, aparece a plateia, com diversas pessoas sentadas e voltadas para a mesa, acompanhando a apresentação.

Auditório Desembargador José Navega Cretton recebe palestra "Inovações na Prevenção ao Assédio", promovida pela Corregedoria Geral da Justiça

O presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), Ricardo Couto de Castro, participou nesta quarta-feira, 25 de março, da abertura da palestra “Inovações na Prevenção ao Assédio” realizada no auditório Desembargador José Navega Cretton, localizado no 7° andar da Lâmina I, no Fórum Central. Trata-se de uma edição especial do “Corregedoria em Diálogo” promovida pela Corregedoria Geral da Justiça em alusão ao Mês da Mulher. O tema foi compartilhado com um público diversificado que lotou o auditório. A atividade conta como reconhecimento prévio pela Escola de Administração Judiciária (Esaj) para cômputo de horas de capacitação.

“Esse evento é de suma importância para ressaltar o espaço de pertencimento da mulher na sociedade para evitar que se tenham mais condutas inadequadas. Não é possível mais aceitar sem reagir a todas as violências que as mulheres são vítimas e pensamentos machistas. Percebemos que a sociedade vem evoluindo e a mulher vem ocupando cada vez mais e de forma legítima e correta o seu espaço, incluindo cargo de comando em várias atividades com sensibilidade. Então, é muito importante reconhecermos o lugar da mulher na sociedade com respeito e prestigiarmos”, destacou o presidente.

Em sua exposição, o corregedor-geral da Justiça, desembargador Cláudio Brandão de Oliveira, defendeu o debate sobre o assunto para reflexão, contribuição e aprimoramento de mecanismos de prevenção ao assédio de repressão ao que já foi detectado. O objetivo é colaborar para a redução e conscientização.

“Esse é um tema que não pode ser esquecido nunca. Precisamos, a cada momento, manter viva a discussão, o debate em torno de um assunto tão sensível e que, lamentavelmente, ainda continua presente na realidade brasileira, nos órgãos públicos, nas relações de direito privado. Então, a cada debate que se faz, a gente está contribuindo para não deixar que caia no esquecimento. A Corregedoria Geral do Tribunal de Justiça está cumprindo o seu papel de debater, discutir e de fazer com que as pessoas reflitam sobre isso para o Tribunal de Justiça poder colaborar para reduzir o número de casos com o trabalho já desenvolvido através do serviço de acolhimento às vítimas de violência e também da busca de soluções”, explicou o desembargador.

O evento contou ainda com a participação de magistradas e especialistas que atuam diretamente no enfrentamento ao assédio no âmbito do Judiciário, trazendo reflexões e experiências práticas sobre o tema.

A juíza federal da Justiça Militar e membro do Comitê de Prevenção ao Assédio do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) Mariana Queiroz Aquino enfatizou a importância da disseminação de informação como ferramenta de prevenção e enfrentamento. “Eu reputo de extrema importância disseminar o conteúdo sobre a prevenção e enfrentamento ao assédio no Poder Judiciário. A informação é poder e é fundamental empoderar as mulheres para que saibam identificar as diversas formas de violência e onde buscar ajuda”, afirmou.

A magistrada também ressaltou que muitas vítimas não reconhecem situações de abuso, especialmente em casos de violência psicológica ou patrimonial. Segundo ela, é essencial ampliar o conhecimento sobre os direitos garantidos e os mecanismos disponíveis de proteção. “A mulher precisa de acolhimento, compreensão e precisa romper o silêncio. Muitas vezes ela teme ser revitimizada ou julgada por uma sociedade ainda marcada por traços machistas e patriarcais”, destacou, lembrando ainda a relevância da Lei Maria da Penha como instrumento fundamental de proteção.

Já a desembargadora Adriana Ramos de Mello, coordenadora da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Coem), chamou atenção para a amplitude do problema e sua presença em diferentes espaços sociais. “A violência contra a mulher ocorre em diversos ambientes, inclusive no trabalho, onde o assédio é uma das formas mais recorrentes. Muitas vezes ele se manifesta por meio de humilhações e cobranças excessivas que afetam a saúde mental e a produtividade”, explicou.

Ela também destacou a importância de políticas institucionais e da atuação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) na criação de diretrizes para o enfrentamento do assédio no Judiciário. Segundo a desembargadora, iniciativas como cartilhas informativas e capacitações são fundamentais para orientar vítimas e prevenir novas ocorrências.

A presidente do Comitê de Promoção de Igualdade de Gênero e de Prevenção e Enfrentamento dos Assédios Moral e Sexual e da Discriminação no 2º Grau de Jurisdição (Cogen-2º Grau), desembargadora Patrícia Serra Vieira, reforçou a necessidade de acolhimento e escuta qualificada às vítimas. “O que se busca é que a colaboradora se sinta acolhida e tenha um espaço seguro para relatar situações de assédio”, afirmou, em trecho de sua fala.

Ela também destacou que as políticas internas de prevenção e combate ao assédio têm impacto que ultrapassa o ambiente institucional, contribuindo para a construção de uma sociedade mais igualitária. “Programas de capacitação e campanhas internas acabam refletindo socialmente, fortalecendo uma política pública mais ampla de enfrentamento à discriminação”, concluiu.

A servidora Maria Araci Martins Breckenfeld, psicóloga do Canal de Acolhimento do Cogen, contribuiu com evento durante participação no debate.

SV/IA

Fotos: Brunno Dantas/TJRJ