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Primeiro seminário do Observatório de Pesquisas debate segurança pública
Notícia publicada por Secretaria-Geral de Comunicação Social em 30/03/2026 19h54

Observatório de Pesquisas Felippe de Miranda Rosa recebeu jornalista Bruno Paes Manso para falar sobre segurança pública em seu primeiro seminário

 

Como o crime organizado se iniciou e se estruturou no Estado Brasileiro? O que o governo pode fazer para frear o seu crescimento? Essas e outras perguntas sobre segurança pública foram respondidas na abertura do 1º seminário do Observatório de Pesquisas Felippe de Miranda Rosa (OPFMR), realizado nesta segunda-feira, dia 30 de março, no Espaço Cultura na Justiça. Promovido pelo Centro Cultural do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro (CCPJ), o evento foi dividido em duas etapas. A primeira teve por objetivo refletir sobre proteção social. Já na segunda, foram apresentadas pesquisas desenvolvidas pelos núcleos do Observatório. 

“Ao contrário da área da Justiça, o meu propósito não é saber quem é o culpado ou o inocente”, disse o jornalista investigativo e professor Bruno Paes Manso durante a palestra “Crime, facções e milícias: 30 anos de mudanças”. “Meu objetivo é saber por que o crime ocorreu, o que está por trás dele. Ao longo de três décadas de estudo, fui descobrindo como grupos armados rivais se uniram, inicialmente, contra o Estado. Porém, agora, estão entre o Estado para expandir o domínio comercial”. 

Autor dos livros “A República das Milícias”, “A Guerra” e “A Fé e o Fuzil”, Bruno Manso explicou a escalada das milícias no Rio de Janeiro desde 1960 e como a criminalidade se transformou à medida que a tecnologia avançou. 

O desembargador José Muiños Piñeiro Filho mediou a conversa, explicando sobre as tipificações de associações criminosa reconhecidas no Código Penal desde o século XX e a nova Lei Antifacção (15.358/2026), sancionada recentemente pelo Governo Federal, que aumenta penas de reclusão e cria mecanismos para o confisco de recursos financeiros de líderes de facção. 

 Núcleos de Pesquisa 

A segunda parte do seminário foi dedicada a apresentar os resultados obtidos a partir das pesquisas dos núcleos I. História e Humanidades, II. Meio Ambiente e Clima, III. Sociologia das Instituições, IV. Antropologia Social, V. Psicanálise no século XXI, VI. Cultura e Arte e VII. Responsabilidade e Impacto Social da Tecnologia da Informação - pertencentes ao Observatório Felippe de Miranda Rosa. 

A presidente do CCPJ, desembargadora Cristina Tereza Gaulia, explicou a metodologia aplicada nos estudos. “As pesquisas não são relacionadas com o Direito propriamente dito, mas estão relacionadas com o sistema de Justiça. Nós buscamos entender melhor o que fazemos bem e o que não fazemos tão bem a partir de um olhar das Ciências Sociais, da Sociologia, da História e de outras ciências correlatas”, disse. 

De acordo com o diretor do Observatório de Pesquisas Felippe de Miranda Rosa, Luã Jung, a finalidade do OPFMR é ampliar o campo do Judiciário. “O Observatório vem desenvolvendo as suas atividades desde o ano passado. A ideia dele, como um todo, é expandir os horizontes do Poder Judiciário fluminense para abordagens que nem sempre são tão comuns do dia a dia e nos discursos jurídicos, interligando Direito e estudos de humanidades”. 

Os estudos dos núcleos de pesquisa foram apresentados pelos magistrados Elton Leme, Cristina Gaulia, Wagner Cinelli, André Nicolitt, Humberto Dalla, Andréa Pachá e Daniela Bandeira. 

KB / MG

Foto: Felipe Cavalcanti/TJRJ