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Justiça Itinerante inaugura na Costa Verde sua 30ª unidade
Notícia publicada por Secretaria-Geral de Comunicação Social em 09/05/2026 19h33

Em uma área gramada e arborizada, tendas azuis e brancas foram montadas para atendimento ao público ao lado de um ônibus da Justiça Itinerante. Sob as tendas azuis, mesas e cadeiras acomodam atendentes e moradores durante os serviços prestados. À direita, pessoas aguardam sentadas em cadeiras plásticas brancas sob uma tenda branca. Ao fundo, árvores altas cercam o espaço, criando um ambiente aberto e sombreado. Uma placa de associação de moradores também aparece próxima à área de atendimento.

                                                  A unidade “Justiça Itinerante Costa Verde - Angra dos Reis” funcionará de forma quinzenal

A presença do Poder Judiciário chegou de forma permanente à região de Bracuí, em Angra dos Reis, com a inauguração da 30ª unidade da Justiça Itinerante do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), em cerimônia realizada na manhã da última sexta-feira, 8 de maio. A iniciativa tem como objetivo ampliar o acesso à Justiça a moradores da Costa Verde fluminense, atendendo a população dos municípios de Angra dos Reis, Mangaratiba, Itaguaí e Paraty. 

A escolha de Angra dos Reis para receber a nova unidade não foi por acaso, explica a coordenadora do projeto Justiça Itinerante, desembargadora Cristina Tereza Gaulia. “Ao longo das jornadas da Justiça Itinerante realizadas entre 2021 e 2022, percebemos que havia uma demanda muito significativa na região de Bracuí, especialmente de pessoas que enfrentavam dificuldades para acessar serviços básicos da Justiça. A instalação definitiva da unidade representa justamente essa aproximação do Judiciário com populações que muitas vezes permanecem invisibilizadas pelo poder público”, completa a magistrada. 

Atendimento integrado e foco nas comunidades tradicionais 

Para além da infraestrutura física do ônibus, a desembargadora Gaulia destaca que o projeto é uma "estação jurisdicional integral", onde juízes, promotores e defensores públicos trabalham em conjunto para proferir decisões em tempo real. Ela ressalta que a itinerância é fundamental para alcançar comunidades tradicionais, como a Aldeia Indígena Sapukai e o Quilombo Santa Rita do Bracuí, permitindo, inclusive, a retificação de documentos para incluir etnias indígenas, fortalecendo a cidadania desses povos.

Em uma área gramada, sob tendas brancas montadas ao ar livre, cinco pessoas participam de um evento institucional diante de um ônibus da Justiça Itinerante do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro (PJERJ). À esquerda, a desembargadora Cristina Tereza Gaulia, uma mulher de cabelos claros e óculos fala ao microfone enquanto segura uma pasta colorida. Ao lado dela, dois homens observam sorrindo, um deles vestindo terno escuro e outro usando camisa polo cinza. Mais à direita, uma mulher de blusa branca sem mangas e calça preta sorri enquanto conversa com o grupo. Na extremidade direita, um homem de terno azul permanece em posição formal, com as mãos à frente do corpo. Ao fundo, há mesas, cadeiras e equipamentos de som sob as tendas, além de uma pessoa trabalhando próxima aos aparelhos de áudio.

Da esquerda para a direita: a desembargadora Cristina Tereza Gaulia, o procurador-geral do município de Angra dos Reis, Leandro Pereira Poyares, o secretário de relações institucionais da prefeitura de Angra dos Reis, Aurélio Marques, a juíza Monalisa Renata Artifon e o promotor de justiça, Ramon Brito Pereira.

Já a juíza titular da 1ª Vara Criminal de Angra, Monalisa Renata Artifon, que será responsável pela coordenação da unidade, reforça que o papel essencial é a proximidade com as pessoas humildes. "Muitas vezes, o cidadão não tem dinheiro para a passagem do ônibus ou sequer conhecimento de como resolver sua questão jurídica", explica a magistrada, que vê na nova unidade uma forma de concretizar o acesso direto à Justiça fora dos muros dos fóruns tradicionais.

Histórias que marcaram o primeiro dia de atendimentos 

O impacto prático da chegada do Judiciário foi sentido no primeiro dia de atendimento. O jovem casal Liniker Trindade e Giovana Gabriela, junto há há seis anos, aproveitou a oportunidade para oficializar o casamento. Eles souberam do serviço por meio de grupos de mensagens e familiares apenas um dia antes. Para Liniker, a agilidade foi o maior atrativo. “Foi um alívio muito grande, muito rápido e prático, especialmente para quem trabalha em escalas como a nossa". 

Dentro de uma unidade móvel da Justiça Itinerante, uma mulher de óculos e roupa preta auxilia um homem sentado ao seu lado durante um atendimento. Os dois observam atentamente a mão dele, enquanto ela parece orientar ou conferir um procedimento. Sobre a mesa azul à frente deles há computadores, documentos e um pequeno estojo vermelho. À direita da imagem, uma pessoa registra a cena com um celular. Ao fundo, outro homem acompanha o atendimento próximo a um armário e equipamentos instalados no interior do veículo.

                                                                      Giovana e Liniker trocando alianças após estarem oficialmente casados

Já Sandro Borges Gino, de 54 anos, também aproveitou a presença da Justiça Itinerante em Bracuí para resolver uma pendência familiar: incluir o sobrenome “Ramos”, da família do sogro, no registro do filho. Entre risos, comentou que estava ali para “ganhar 100 pontos com o sogrão”. “Isso aqui adianta o lado de todo mundo. A gente consegue resolver as coisas perto de casa, sem precisar sair daqui ou gastar dinheiro com deslocamento. É bom para a comunidade, traz um sentimento bom para todo mundo”, completa Sandro.

Em uma área externa com cadeiras plásticas brancas e tendas ao fundo, um homem negro usa óculos e camiseta azul com uma mensagem estampada sobre memória e direitos. Ele aparece em primeiro plano, olhando para cima com expressão atenta e as mãos unidas à frente do corpo. Uma faixa da associação de moradores está posicionada ao fundo, enquanto outras pessoas permanecem sentadas sob a tenda em um espaço comunitário arborizado.

                                                       Morador da região, Sandro Borges Gino destacou a praticidade da unidade da Justiça Itinerante
 

Expansão da Justiça Itinerante 

A nova unidade funcionará de forma quinzenal. Além disso, segundo a desembargadora, o Tribunal também trabalha na expansão da iniciativa para outras regiões do estado. “Temos vários outros locais já planejados, mas estamos aguardando que os nossos quatro novos ônibus, que já chegaram, finalizem o processo de estruturação interna”, afirmou a magistrada. 

VM/SF

Fotos: Kaíque Galiza/TJRJ