Emerj homenageia ministro Menezes Direito após doação de 5,5 mil livros para biblioteca
Notícia publicada por Assessoria de Imprensa em 09/09/2021 14:31
“Não estamos nos desfazendo dos livros, e, sim, os entregando para a casa do meu pai”, diz filho do ministro

A Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (Emerj) homenageou, na tarde da última quarta-feira (8/9), o ministro Carlos Alberto Menezes, que teve parte de seu acervo pessoal, mais de 5.500 obras ao todo, doado para a Biblioteca TJRJ/Emerj Desembargador José Carlos Barbosa Moreira. 

“Hoje é uma data que nos emociona. Em 8 de setembro de 1942, nascia, em Belém do Pará, o ministro Menezes Direito. Sabemos que é um momento oportuno para realizar essa homenagem em um dia tão significativo. A família que ele construiu teve a generosidade de doar parte de sua biblioteca pessoal, fazendo com que ela deixe de estar disponível para poucas pessoas e passe a ficar acessível para todos que se interessam por assuntos das Ciências Humanas”, disse a desembargadora Ana Maria Pereira de Oliveira, presidente da Comissão de Biblioteca e Cultura da Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (Emerj), representando a diretora-geral da Escola, desembargadora Cristina Tereza Gaulia, na abertura da solenidade desta quarta-feira, dia 8.   

O ministro, que morreu em setembro de 2009, aos 66 anos, também ganhou uma sala de estudos inaugurada na Biblioteca em sua homenagem, a Sala do Silêncio Ministro Menezes Direito. Os netos do ministro, Pedro e João Gabriel, descerraram a placa de inauguração.  

Presente na homenagem, o presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), desembargador Henrique Carlos de Andrade Figueira, destacou que o ministro foi uma pessoa que honrou o TJRJ.  

“É uma satisfação e um orgulho muito grande estar aqui, hoje, como presidente do Tribunal. Uma biblioteca é o templo da cultura, onde se encontram os deuses, os grandes nomes, as pessoas consagradas. Esta Biblioteca carrega o nome do José Carlos Barbosa Moreira, que é um grande jurista do processo civil. Hoje, fazemos uma homenagem muito especial para uma figura excepcional, um grande professor, uma pessoa de notável conhecimento jurídico e humanístico que, com certeza, está representado, assim como seus pensamentos, em sua biblioteca. O ministro Carlos Alberto Menezes Direito foi uma pessoa que muito honrou, dignificou e abrilhantou o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. É uma honra imensa ter seu nome em uma sala e seu acervo disponível aqui”, disse o presidente.  

Emocionado, o filho do ministro e advogado, Carlos Alberto Direito Filho, presente na cerimônia, pediu licença para, segundo ele, falar com o coração. Em sua homenagem, em nome da família, destacou que o TJRJ era a verdadeira casa do pai e que ele se sentiria feliz com a doação do acervo.  

“Hoje é aniversário do meu pai, um homem que dedicou a vida a uma causa: a pública. Para isso, precisou abrir mão de muita coisa na vida. Eu brinco, sempre usando aquela música da ‘casa muito engraçada’, e digo que, sim, nossa casa era engraçada. Não tínhamos paredes, tínhamos estantes repletas de livros. A homenagem de hoje nos faz trazer meu pai de volta. Ele se sentia, no Tribunal do Rio, verdadeiramente em casa. Não era no STJ ou mesmo no STF, a casa dele era o Tribunal do Rio. Não estamos nos desfazendo dos livros, e, sim, os entregando para a casa do meu pai. Aqui é onde a memória dele será perpetuada. Aqui, muitas pessoas terão a mesma chance que nós, familiares, tivemos”, comentou.  

“Meu pai fez sua carreira aqui no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e sempre foi uma pessoa muito dedicada à leitura, ao intelecto e ao saber. Para nós, familiares, representa muito esse acervo vir para a Biblioteca do Tribunal, em um espaço público, onde todos podem consultar. Para nós é muito importante e para meu pai, com certeza, também seria”, disse o desembargador Carlos Gustavo Direito, filho do ministro, que também esteve presente na homenagem.  

O saudoso Ministro Carlos Alberto Menezes Direito ingressou na magistratura como desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), pelo quinto constitucional da advocacia, em 1988. Em junho de 1996, tomou posse no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e, em setembro de 2007, tomou posse no Supremo Tribunal Federal (STF) com a vaga aberta após a aposentadoria do então ministro Sepúlveda Pertence. Entre as atividades exercidas, foi presidente da Casa da Moeda do Brasil, secretário de Estado de Educação e presidente do Conselho Nacional de Direito Autoral, além de professor titular do Departamento de Ciências Jurídicas da PUC-RJ.  

Também participaram da solenidade, mas de forma virtual, outros familiares do ministro: a viúva, Dona Wanda Direito; a filha, promotora de justiça Luciana Direito; o irmão, economista Paulo Roberto Direito; a cunhada, desembargadora Maria Sandra Rocha Kayat Direito; e a sobrinha, defensora pública Paula Direito.  

A lista das coleções especiais que estão disponíveis na Biblioteca, incluindo a do ministro Menezes Direito, pode ser acessada pelo link:  

 https://www.emerj.tjrj.jus.br/paginas/biblioteca_videoteca/colecoesespeciais.html   

A transmissão completa da homenagem pode ser assistida pelo link:  

https://www.youtube.com/watch?v=tKS5YTC24Yg&t=248s&ab_channel=Emerjeventos   

Fotos: Jenifer Santos/Emerj