O consenso como opção: busca pela mediação no TJRJ cresceu neste ano
Mais de 48 mil audiências foram realizadas pelos Cejuscs em 2025
“A busca pela consensualidade significa a recuperação da capacidade do cidadão de encontrar a própria solução do seu conflito, sem depender de um terceiro. O que o Tribunal faz é proporcionar as condições para que o cidadão possa exercer esse direito.” Assim, o presidente do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec), desembargador Cesar Felipe Cury, definiu a importância de ter a mediação como alternativa para a judicialização de conflitos, o que tem sido cada vez mais procurado pelos cidadãos.
Em 2025, mais de 48 mil audiências foram realizadas pelos Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejuscs), cerca de 11 mil a mais do que no ano anterior. Para o magistrado, esse aumento pode ser justificado por alguns fatores determinantes. “A sociedade deixou de ter instituições naturais que eram tradicionalmente reconhecidas, como a própria família, e as instituições oficiais passaram a cumprir esse papel. Além disso, realizamos um trabalho intensivo de capacitação na Escola de Mediação (Emedi), que teve 144 turmas em 2025 e contou com mais de sete mil pessoas inscritas”, completou o desembargador.
E como funciona a mediação?
Desembargador Cesar Cury
O processo é feito de forma voluntária e permite que as partes possam apresentar aquilo que pensam em relação ao conflito, procurando encontrar uma solução de modo cooperativo e construtivo. Ela pode ser aplicada em diversas áreas como familiar, empresarial, escolar e ambiental, prestando assistência na obtenção de acordos a partir de um ambiente de colaboração, em que os envolvidos podem dialogar produtivamente sobre suas necessidades e restabelecer as relações que passaram por algum tipo de turbulência.
Os mediadores são treinados para agir de forma neutra, sem dar conselhos ou tomar decisões, facilitando o diálogo positivo e criando uma atmosfera propícia para identificar as necessidades das partes.
Projetos
Além das audiências, o Nupemec também desenvolve uma série de projetos por meio do Serviço de Orientação e Apoio Técnico às Unidades e Justiça Restaurativa (Nupemec-Seori), que servem como uma ferramenta de acolhimento para aqueles que estão envolvidos em um conflito.
Em 2025, as Oficinas de Parentalidade ocuparam um papel de destaque, com mais de 200 edições realizadas ao longo do ano. O programa é destinado a apoiar famílias em processo de separação e auxiliar todos os envolvidos a lidarem com as mudanças familiares de forma saudável, especialmente em relação aos cuidados com os filhos. As Oficinas de Convivência e de Comunicação Não-Violenta (CNV) também contribuíram para capacitar colaboradores e servidores em prol de um ambiente de trabalho saudável e respeitoso.
Os Círculos de Diálogo abordaram um novo tema a cada mês com o objetivo de promover interações pautadas em escuta profunda e norteadas pela ética do cuidado. A prática, que traz benefícios que se espalham para além do espaço de diálogo, foi realizada em mais de 160 oportunidades nas comarcas de todo o estado.
Além de recuperar a autonomia dos cidadãos e de oferecer soluções que podem trazer mais satisfação para todas as partes, a mediação surge como uma alternativa que auxilia o Poder Judiciário a aliviar o volume de processos, reduzindo custos e entregando resultados de forma mais célere.
PB*/IA
*Estagiário sob supervisão