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Vozes que ganham rostos: 133 telefonistas atendem cerca de cinco mil chamadas por dia
Notícia publicada por Secretaria-Geral de Comunicação Social em 06/01/2026 06h53

Foto mostra telefonistas sentadas em suas cabines de atendimento

                                               As telefonistas do Tribunal de Justiça do Rio atendem mais um milhão de ligações por ano 
 

“Tribunal de Justiça, Jaqueline, bom dia!” 

Com certeza milhares de pessoas já ouviram essa e mais vozes por trás de cinco mil chamadas que chegam todos os dias ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). Mas, agora, revelaremos alguns rostos dessas vozes que atendem tanto o público externo quanto o interno. 

Quem vive o dia a dia do TJRJ, no Fórum Central, com certeza já precisou ligar para o ramal 2000, em busca de ajuda ou até mesmo orientação. Do outro lado da linha, a equipe de 133 telefonistas está preparada e afiadíssima para atender magistrados, servidores, colaboradores, estagiários e usuários em geral nas mais diversas necessidades que podem surgir na rotina agitada do Judiciário fluminense. 

Nem mesmo a inteligência artificial e os avanços da tecnologia puderam substituir essas profissionais que são mais do que a simples definição que consta nos dicionários: pessoa encarregada do serviço telefônico de uma empresa ou repartição. Elas são muito mais! 

Série espanhola deu visibilidade à profissão 

Em 2017, foi exibida em uma plataforma de streaming a série espanhola  As Telefonistas  (Las Chicas del Cable, título original em espanhol), que revelou a história de quatro mulheres na década de 1920, em Madri, na Espanha, em busca de liberdade, e mostrou como elas eram tratadas pela sociedade. Venceram barreiras e, hoje, a profissão é mais respeitada do que nunca e não existe quem não precise delas ao menos uma vez por dia. 

A chefe do Serviço de Segurança em Telecomunicações do TJRJ, Roberta Maciel, é categórica ao afirmar que as pessoas gostam de falar com as telefonistas e não com máquinas. Já a supervisora Marcia Dias Abel, que trabalha diretamente com a equipe de telefonia desde 1990, ressalta que todos são bem acolhidos quando ligam para o TJRJ. "Elas têm a sensibilidade para ouvir, tirar dúvidas, passar informações e, principalmente, entender do que a pessoa que está na linha precisa”, relata. 

Mais de 1 milhão de ligações por ano e até pedidos de bom dia 

São mais de um milhão de ligações por ano, com uma média mensal de 86 mil telefonemas recebidos. Há 16 mil ramais distribuídos por todo o Estado e cerca de cinco mil ligações recebidas por dia. Embora os números sejam expressivos e indiquem um ambiente barulhento e movimentado, o clima leve é o que toma conta da equipe das telefonistas, que se dividem em dois turnos para dar conta do incessável “ring-ring” das chamadas.  Entre elas, o sentimento é de pertencer a uma grande família e, além do afeto e cuidado que compartilham umas com as outras, também carregam o orgulho pela profissão e por representar o Tribunal de Justiça tanto na Capital quanto no interior, atuando nas diversas comarcas. 

“Nós somos a porta de entrada para quem precisa de uma informação ou até mesmo de carinho. Quantas vezes atendemos pessoas que estão desesperadas por conta de seus processos que envolvem traumas e questões familiares? Daí nosso trabalho, que considero essencial, e também ajuda a acalmar e acarinhar as pessoas”, conta Patrícia Farias, que tem muito orgulho de pertencer à equipe de telefonistas do Tribunal há três anos. 

Telefonista há 25 anos no TJRJ, Jaqueline Saraiva da Silva conta fatos inusitados da profissão, como pessoas que ligam apenas para dar bom dia e perguntar as horas. “Eu sou muito satisfeita com meu trabalho e gosto do que faço, gosto de lidar com o público e ajudar o próximo. Aqui, nós temos um ambiente ótimo para trabalhar, recebemos muitos elogios das pessoas que ligam para cá. E tem algumas pessoas que ligam apenas para perguntar as horas e dar bom dia e receber também, e nós atendemos todos da mesma maneira, com a mesma educação”, conta Jaqueline. 

Foto mostra telefonistas sentadas com a chefe do setor de pé em sala de atendimento

                                                    Histórias inusitadas e pedidos de "bom dia" chegam até elas pelo telefone diariamente
 

Jogo de cintura 

Jogo de cintura? Sim, as telefonistas do TJRJ têm também. E o que o Tribunal de Justiça tem a ver com disco voador? Para uma moradora de Copacabana, tudo. Nos mais de 40 anos de profissão, Rutelene de Melo, a Rute, colecionou muitas amizades, se tornou membro de uma grande família e parte de muitas histórias. 

De acordo com Rute, em uma certa época, uma senhora moradora de Copacabana ligava várias vezes no começo da noite para o Tribunal para relatar que, pela janela de seu apartamento, via um disco voador passeando pelo céu do bairro. Na primeira vez, ficou confusa e resolveu transferir a ligação para uma supervisora, mas sua curiosidade falou mais alto. Na ligação da mesma senhora, em outra oportunidade, resolveu perguntar se mais alguém vira o objeto voador não identificado (OVNI) em Copacabana, já que ela falava sem parar que “ele apareceu de novo!”. “Eu resolvi perguntar se mais alguém tinha visto o tal disco voador, e ela disse que não. Então, ficou por isso mesmo e ela nunca mais ligou.” 

Do mercadinho para o TJ: a realização de um sonho 

A telefonista Estefane Gomes dos Santos se emociona ao lembrar como conseguiu realizar o sonho de trabalhar no Tribunal. Ela, que trabalhava num mercadinho da Praça XV, espalhou seu currículo por várias salas do TJRJ. Um dia, essa atitude deu certo. Foi chamada para uma entrevista e acabou contratada. 

Estefane é a prova de perseverança. Adotada pela grande família das 133 telefonistas, hoje, ela, com o sonho realizado, sabe o gosto e alegria de dizer: “Tribunal de Justiça, Estefane, bom dia!”. 

PF/PB* 

*Estagiário sob supervisão 

Fotos: Brunno Dantas/TJRJ