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Literatura: autora de “Um defeito de cor” é destaque no Centro Cultural
Notícia publicada por Secretaria-Geral de Comunicação Social em 25/03/2026 15h08

A imagem mostra um evento institucional realizado em um espaço fechado, com duas mulheres em destaque à frente de um pequeno público. Ao centro-direita, uma mulher está sentada e fala ao microfone, segurando um papel. Ela veste um traje longo, claro e rendado, com aparência elegante e tradicional. Sua expressão é séria e concentrada, indicando que está conduzindo uma fala ou leitura. À esquerda, outra mulher está sentada em uma cadeira, com postura atenta, observando a palestrante. Ela veste roupas mais informais, como blusa escura e calça jeans, sugerindo que pode ser mediadora ou participante do evento. Entre as duas, há uma mesa com alguns livros expostos. Ao fundo, uma tela de projeção exibe os logotipos do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro e do Centro Cultura. À direita, há um banner vertical com a marca do centro cultural.

      Escritora Ana Maria Gonçalves fala durante evento "Do Direito à Literatura", organizado pelo Centro Cultural do Poder Judiciário 

A primeira mulher negra e a mais jovem a integrar a Academia Brasileira de Letras (ABL), escritora e autora do renomado livro Um defeito de cor, Ana Maria Gonçalves, foi a convidada do Centro Cultural do Poder Judiciário (CCPJ) para o evento Do Direito à Literatura, em celebração ao Dia Internacional da Mulher. A conversa com um dos principais nomes da literatura brasileira contemporânea foi realizada no Espaço Cultura na Justiça, localizado no Edifício Desembargador Caetano Pinto de Miranda Montenegro. 

O livro, com quase mil páginas, que foi vencedor do prestigiado Prêmio Casa de las Américas, em Cuba, já foi tema de samba-enredo no Carnaval de 2024 e manteve-se no topo das vendas. O romance é considerado um dos mais importantes da literatura brasileira no século XXI. 

Imaginação como ferramenta de transformação 

A escritora Ana Maria Gonçalves destacou o papel da imaginação como ferramenta de transformação. Segundo ela, imaginar e criar permitem revelar diferentes realidades e, a partir disso, contribuir para a construção de um mundo melhor, com mais compreensão e reconhecimento das diversas experiências. 

“Esse livro tem caráter de formação. Um defeito de cor é um livro que eu queria ter lido e não encontrei e, por isso, o escrevi. Foi uma obra que me ajudou a me formar como mulher negra. Durante muito tempo, tive essa identidade questionada. Escrever o livro foi, para mim, um processo de reafirmação”, completou. 

Personagem inspirada em revolucionária

A obra conta a história de Kehinde, mulher africana sequestrada e escravizada na Bahia ainda na infância. A protagonista retorna, já adulta, ao país de origem após conseguir a alforria. Anos depois, decide voltar ao Brasil em busca de um filho perdido. Nesse percurso, revisita as dores da escravidão e o período de formação da sociedade brasileira. A personagem é inspirada em Luísa Mahin, revolucionária de Salvador em 1835, ligada à Revolta dos Malês e apontada como mãe do abolicionista Luís Gama. 

Durante o encontro, a autora abordou como aprendeu a narrar experiências de uma geração a outra como parte de seu processo evolutivo. 

“Quem pode contar a própria história, quem pode falar do seu tempo, com certeza terá, no futuro, melhores condições de vida, porque pode se colocar na sociedade. Cada um poder falar de si e ter voz própria e, a partir daí, por meio de um processo de imaginação que também vem da literatura e da leitura, é possível imaginar futuros melhores.” 

A conversa contou com a participação da pesquisadora e integrante do gabinete de direção do CCPJ, Roberta Celli Moreira de Araújo, que fez perguntas e debateu o livro e futuros projetos da escritora. 

VS/SF

Fotos: Rafael Oliveira/TJRJ