Autofit Section
Empregabilidade e qualificação possibilitam futuro melhor a jovens acolhidos
Notícia publicada por Secretaria-Geral de Comunicação Social em 16/07/2026 16h43

 

  Foto mostra mão de jovem segurando caneta e desenhando em bloco de fundo branco a imagem de um super-herói

Com habilidade para desenho e ilustração, Ronaldo, nome fictício, quer se especializar em arte audiovisual e inteligência artificial
 

Adolescentes residentes em unidades de reinserção social veem o emprego não apenas como uma oportunidade de renda. Eles o veem como uma chance concreta de desenvolver habilidades, construir autonomia, recuperar a autoestima e enxergar novos caminhos para o futuro. Em um período da vida marcado por desafios emocionais e incertezas, o acesso ao trabalho e à qualificação oferece pertencimento, responsabilidade e esperança.
  
É com esse objetivo que o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) promove parcerias entre o setor público e o privado. Uma das iniciativas é a Comissão de Articulação de Programas Sociais (Coaps), incumbido de inserir jovens institucionalizados por medida protetiva ou socioeducativa em cursos de capacitação e no mercado de trabalho por meio do programa de Jovem Aprendiz. 
 
Segundo dados do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento, há 36.814 menores de idade institucionalizados no Brasil. Quase 17% deles estão direcionados para adoção; e a maioria está por outros motivos, sendo um deles o cumprimento de medida protetiva.  
  
A Unidade de Reinserção Social Angélica Goulart, em Del Castilho, é um dos equipamentos públicos responsáveis por acolher adolescentes por medida protetiva no Rio de Janeiro. Desde a reinauguração, em 2024, quase 50 meninos já passaram pela casa, que atualmente cuida de 12.  
 
“Quando a maioridade se aproxima e não há possibilidade de retorno à família de origem ou de adoção, inicia-se um processo de preparação para a vida independente. O adolescente é incentivado a participar de cursos e programas profissionalizantes. Ele também pode ser encaminhado para moradias assistidas ou para o aluguel social. A inserção no mercado de trabalho acaba por fortalecer a autoestima e promover autonomia, fazendo com que eles reconheçam suas capacidades para o futuro”, disse a juíza titular da 1ª Vara da Infância e Juventude Protetiva da Capital do Rio de Janeiro, Lysia Maria Mesquita. 
  

Jovem risca rotas sobre mapas na foto com imagem em preto e branco

Caio, nome fictício, aproveita o trabalho como Jovem Aprendiz da Comlurb para aprender mais sobre a geografia urbana da cidade
 

Um dos abrigados na unidade de reinserção em Del Castilho que se preparam para deixar o local e morar em uma república é o Caio*. Tímido, o “Índio”, como foi apelidado pelos amigos na casa, conta sobre seu trabalho na Companhia Municipal de Limpeza Urbana. “Eu faço Jovem Aprendiz na Comlurb, na área de logística, há alguns meses, além de um curso na Firjan. No meu trabalho, mapeio as ruas onde o caminhão da coleta vai passar. Gosto da tarefa porque posso conhecer mais a cidade”.
 
“Os jovens daqui ficam muito ansiosos para participar do programa de Jovem Aprendiz. Eles anseiam ter a própria vida e veem no Jovem Aprendiz uma oportunidade. Por meio da equipe técnica, ensinamos sobre a importância da responsabilidade no trabalho, de administrar seus recursos e de ter autonomia e autocuidado”, disse a diretora da unidade, Elizabeth Oliveira. 
   

Foto mostra uma mão cortando um pimentão verde sobre uma tábua de plástico

Se tornar um chef de cozinha e abrir um restaurante em Portugal virou meta para Vladimir, nome fictício do jovem que faz curso de gastronomia
 

Desde quando começou a trabalhar, Vladmir* percebeu melhoras em si; e o curso de gastronomia, intimidador à princípio, se tornou combustível para projetar seu futuro fora do país. “Fiquei nervoso e animado ao saber do curso. Pensei: ‘Caraca! Vou aprender muita coisa nova!’. Tudo ali era novidade, eu nunca tive contato com uma cozinha profissional antes. A minha formação vai abrir muitas portas de trabalho não só no Brasil, mas em outros países, eu acredito. Eu quero ir para Portugal, ser chefe de cozinha, ter o meu restaurante lá”.
 
“Os jovens acolhidos aqui vêm de diferentes realidades, cada um tem a sua história e o seu tempo”, disse a psicóloga da unidade Francy Kelly Carvalho. “Nosso papel não é somente acolhê-los até se tornarem maior de idade ou até voltarem para suas famílias. É também de garantir que eles tenham um futuro digno e decente, como qualquer outro cidadão. É de cativar os sonhos que vão impulsioná-los a buscar um futuro melhor por meio dos estudos e do trabalho”.  
  
Ronaldo* é um dos que ainda sonham. Atraído pela arte da poesia e dos livros, ele dedica seu tempo livre à criação de letras de música e à ilustração de heróis de suas histórias, enquanto não começa no novo programa de Jovem Aprendiz. “Eu já fiz três cursos desde que cheguei aqui. Agora, vou começar a trabalhar em um novo projeto da Firjan. Gosto de desenhar e escrever. É o meu jeito de relatar o mundo, de falar de coisas do dia a dia que passam despercebidas. Eu gosto de criar essa conexão entre a ficção e a realidade e gostaria de me especializar na parte de audiovisual, de ilustração e de inteligência artificial um dia”, projeta. 

Mais do que facilitar o acesso ao mercado de trabalho, os programas de Jovem Aprendiz e os cursos de qualificação destinados a adolescentes em acolhimento institucional contribuem para romper ciclos de vulnerabilidade social, ampliando oportunidades e favorecendo a construção de um futuro mais digno e autônomo.

 

Trio de jovens posam de costas para foto. Eles estão virados para a entrada de uma casa

    Abrigados, Caio, Ronaldo e Vadimir encontraram caminhos para abrir portas diante da chegada da idade adulta em futuro próximo 
 

 
*Os nomes dos menores de idade foram alterados a fim de preservar suas  identidades  
  
KB/FS 

Fotos: Kaíque Galiza/TJRJ