Oficina de amarração de turbantes destaca ancestralidade, identidade e combate à discriminação
Evento do Napjus, em parceria com o Museu, integra a programação do Julho das Pretas
"Olhar para o passado para ressignificar o presente e construir o futuro". Inspirado no provérbio do símbolo Sankofa, criado pelo povo Akan, originário de Gana, na África, o Núcleo de Atenção e Promoção à Justiça Social (Napjus), em parceria com o Museu da Justiça, promoveu uma oficina de amarração de turbantes. Conduzida pela educadora do Museu Lívia Prado, a atividade propôs um resgate cultural e uma reflexão sobre identidade, ancestralidade e respeito à diversidade.
Mais que uma atividade recreativa
Ao abrir o evento, realizado nesta quarta-feira, 22 de julho, na Sala do Educativo do Museu, o presidente do Comitê de Promoção da Igualdade de Gênero e de Prevenção e Enfrentamento dos Assédios Moral e Sexual e da Discriminação no 1º Grau de Jurisdição (Cogen-1º Grau), desembargador Wagner Cinelli, destacou que a iniciativa vai além de algo recreativo.
“É muito importante tratar desses temas. Não se trata apenas de uma atividade recreativa, lúdica ou instrutiva. É muito mais do que isso. É uma pauta voltada para sensibilizar as pessoas. Ainda que de forma indireta, isso contribui para a prevenção da discriminação e para a construção de uma prática baseada no respeito”, afirmou o magistrado.
Desembargador Wagner Cinelli (de pé), fala durante o início da oficina
A oficina integra a campanha nacional “Julho das Prestas”, criada em 2013 pelo Odara – Instituto da Mulher Negra com o objetivo de fortalecer a ação política das mulheres negras e celebrar o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, comemorado em 25 de julho. No Napjus, a programação também inclui palestras sobre representatividade em espaços de poder e o lançamento de uma cartilha sobre o combate ao racismo.
A história e os significados do turbante
Durante a aula, Lívia narrou a trajetória do turbante, desde suas origens no Egito e na Índia, até sua chegada ao Brasil através da escravização, onde se tornou símbolo de resistência e fé.
“A amarração de turbante é uma técnica ancestral e que representa para mim fortalecimento da minha autoestima, reconhecimento da minha identidade, empoderamento feminino e principalmente conexão com as minhas raízes ancestrais referente a negritude”, explicou a educadora.
Conexão com a ancestralidade
Uma das participantes da oficina foi a museóloga Janaína Magalhães Angelo, de 49 anos, que viu na atividade um momento de conexão com sua ascendência. “Me fez remeter muito a minha ancestralidade e eu percebi que o turbante é atemporal. Eu me senti empoderada”, revelou.
Já para a integrante do projeto social Inclusão Legal da Secretaria-Geral de Sustentabilidade e Responsabilidade Social (SGSUS), Cherry Coelho, de 52 anos, a oficina a fez refletir sobre a forma como ela enxerga esse símbolo cultural.
“Antes, quando eu pensava em turbante, lembrava logo da época da escravidão, de figuras como Chica da Silva e daquele período em que as pessoas negras eram reprimidas e tinham tão pouco espaço. Hoje, o turbante ganhou outro significado. Ele representa valorização, identidade e pode ser usado por pessoas de diferentes classes, cores e raças”, completou Cherry.
VM/IA
Fotos: Felipe Cavalcanti / TJRJ