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Circuito Centenário do Antigo Distrito Federal promove visita ao Palácio da Democracia
Notícia publicada por Secretaria-Geral de Comunicação Social em 23/07/2026 20h53

As palestras fizeram parte do Circuito Centenário do Antigo Distrito Federal e discutiram a história do Palácio da Democracia

No coração do antigo Distrito Federal, através de imponentes portas de ferro fundido do número 42 da Rua da Alfândega, está localizado o Palácio da Democracia, sede oficial do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) desde julho de 2024. A história do edifício teve início em 1926, com a inauguração do Banco Transatlântico Alemão.

Agora, cem anos depois, o espaço recebeu a mais nova etapa do Circuito Centenário do Antigo Distrito Federal, iniciativa do Museu da Justiça do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) que convida o público a revisitar edifícios históricos que marcaram a história da República no Rio, incluindo também o Antigo Palácio da Justiça, o Palácio Tiradentes e o Edifício Touring.

Das finanças ao voto


Da esquerda para a direita: o vice-presidente e corregedor do TRE-RJ, desembargador eleitoral Fernando Cerqueira Chagas e o presidente do TRE-RJ, desembargador eleitoral Claudio de Mello Tavares

“As paredes que antes guardavam ativos financeiros, hoje protegem o voto e a lisura do nosso processo eleitoral”. Foi assim que o presidente do TRE-RJ, desembargador Claudio de Mello Tavares, descreveu a metamorfose simbólica do prédio durante a abertura do ciclo de palestras nesta quinta-feira, 23 de julho. Ao lado do vice-presidente e corregedor do TRE-RJ, desembargador Fernando Cerqueira Chagas, Tavares destacou a integração do tribunal ao conjunto de edifícios históricos que, em 1926, simbolizavam a afirmação da identidade nacional por meio da arquitetura.

 

Do banco à Justiça Eleitoral

A trajetória do edifício, narrada pelos historiadores e servidores do Tribunal Eleitoral Rodrigo Costa Japiassu, Maurício da Silva Duarte e Ana Paula Silveira de Andrade, mostra que ele foi construído entre 1924 e 1926 pela Companhia Construtora Nacional, a mesma responsável pelo Copacabana Palace e pelo Hotel Glória, e foi um dos marcos no uso do chamado “concreto armado” no Brasil. Essa técnica permitiu que a estrutura de 30 metros de altura subisse em tempo recorde, destacando-se entre os sobrados coloniais que ainda dominavam a região.

Entretanto, o destino da construção mudou drasticamente em 1942. Com a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial contra o Eixo, o governo de Getúlio Vargas liquidou o banco alemão e incorporou o patrimônio ao Estado. O prédio abrigou a Secretaria de Fazenda por décadas antes de enfrentar um período de abandono, que só se encerrou em 2022, quando o espaço foi cedido pelo Governo, restaurado e, posteriormente, inaugurado como nova sede do Tribunal Regional Eleitoral do Rio.

Ao fim das palestras, a servidora Cristina Werneck conduziu uma visita guiada pelo Palácio da Democracia, apresentando ao público a arquitetura e os detalhes históricos preservados no edifício.

Visita guiada do Palácio da Democracia, conduzida pela servidora do TRE-RJ, Cristina Werneck

Um circuito para preservar a memória

A diretora do Museu da Justiça, Siléa Macieira, destacou que a iniciativa é um desdobramento de um projeto maior que une quatro edificações emblemáticas, selecionadas para representar segmentos como o jurídico, o financeiro e o comercial ao longo deste século. A diretora também ressaltou a importância da parceria com o TRE-RJ, permitindo que cada instituição tenha seu momento de protagonismo para compartilhar sua própria história e ressignificação. “Em breve, teremos o mesmo momento no Palácio Tiradentes e, por último, fechando no edifício Touring”.

VM/IA

Fotos: Felipe Cavalcanti / TJRJ