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Solidão, tecnologia e ancestralidade são temas de palestra para idosos no Museu da Justiça
Notícia publicada por Secretaria-Geral de Comunicação Social em 03/08/2026 19h01

Em um salão histórico com piso de madeira, painéis escuros e detalhes arquitetônicos ornamentados nas paredes, uma mesa de debate reúne cinco participantes sentados sobre um palco. Ao centro, uma das palestrantes, vestindo blazer branco e blusa amarela, fala ao microfone enquanto gesticula com uma das mãos. Os demais integrantes da mesa acompanham a exposição, alguns observando a palestrante e outros consultando anotações. À frente do palco, o público ocupa fileiras de bancos e cadeiras, acompanhando atentamente a discussão. Entre os presentes há pessoas de diferentes idades, algumas utilizando celulares ou fazendo anotações. À direita da imagem, um cinegrafista registra o evento com uma câmera posicionada sobre um tripé. Ao fundo, outra câmera também está instalada para gravar a atividade.

                                                                     Idosos participaram de roda de conversa sobre solidão e tecnologia   

Cerca de cinquenta idosos oriundos de projetos sociais ligados à Secretaria Municipal de Envelhecimento Saudável e Qualidade de Vida do Rio (SEMESQV) se reuniram no antigo Tribunal do Júri, no Museu da Justiça do Rio, nesta segunda-feira, dia 3 de agosto. Em diálogo com a exposição “Lideranças Quilombolas do Rio de Janeiro: História e Resistência”, a palestra “Ancestralidade, tecnologia social real para a conectividade?”, do programa municipal “Vamos falar sobre isso?”, destacou como a tecnologia e a ancestralidade podem ser uma ferramenta no combate à solidão na terceira idade. A ação foi promovida em parceria com Museu da Justiça do Rio e mediada pela pesquisadora e arte-educadora do Museu Izadora Alves. 

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), quase um quinto dos domicílios do país são ocupados por apenas um residente. Desses, 40% são de pessoas com 60 anos ou mais. Um dos principais problemas enfrentados por essa população é o isolamento social.  

Com o advento da tecnologia, porém, essa dificuldade pode ser superada, disse a coordenadora do programa educativo do Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (Muhcab), Nayla Oliveira. “As novas ferramentas de comunicação possibilitam uma conexão que não existia antes. Estou presente neste espaço e também estou em conexão com a minha avó, que está na casinha dela, por exemplo”.  

Se de um lado a tecnologia é capaz de aproximar pessoas, de outro, também pode afastá-las. Para o secretário municipal do SEMESQV, é preciso ter cautela no uso do celular. “A palavra ‘conectividade’ ganhou força com as redes sociais. Porém, vale lembrar que a conectividade não está totalmente no ambiente digital e sim nos momentos reais em que estamos com nossa família e amigos”, contou.

Uma forma de combater a solidão apresentada pela coordenadora do Núcleo de Atenção e Promoção à Justiça Social (Napjus) do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Inara Firmino, é a prática religiosa. “A religião possibilita um contato e cuidado maior com as pessoas devido ao acolhimento, o que reduz a solidão. Na minha experiência, até a dimensão do que é solidão foi alterada quando entendi que não ando só”.  

KB/IA   
Foto: Kaíque Galliza/TJRJ