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Justiça reduz número de administradores judiciais do Vasco e nomeia ‘watchdog’ para fiscalizar processo de recuperação
Notícia publicada por Secretaria-Geral de Comunicação Social em 07/08/2026 23h

A juíza Simone Gastesi Chevrand, da 4ª Vara Empresarial do Rio, determinou nesta sexta-feira, 7 de agosto, duas medidas importantes no processo de recuperação judicial do Club de Regatas Vasco da Gama e da Vasco da Gama SAF. A primeira reduz de dois para um o número de administradores judiciais responsáveis por acompanhar as contas do clube. A segunda cria a figura de um observador judicial, uma espécie de fiscal extra, para vigiar de perto a atuação dessa administração.

Até agora, duas empresas dividiam a tarefa de administrar judicialmente o processo: a Wald Administração de Falências e Empresas em Recuperação Judicial e a K2 Consultoria Econômica. Atendendo a um pedido reiterado do Ministério Público, a juíza decidiu manter apenas a Wald na função e dispensar a K2, agradecendo pelo trabalho prestado. A decisão levou em conta o tempo já decorrido do processo e a proximidade do fim do período de supervisão judicial, o que reduziu as atribuições necessárias para essa fiscalização.

Observador judicial

A parte mais relevante da decisão trata da nomeação de um observador judicial, também chamado de "watchdog" (cão de guarda, em inglês) ou "gatekeeper" (guardião do portão). Segundo a magistrada, esse novo personagem é necessário porque surgiram sinais de contradição entre o que vinha sendo informado ao processo e a realidade encontrada.

A juíza explicou que os relatórios anteriores da administração judicial, incluindo o 12º relatório, de junho de 2026, indicavam normalidade na condução do clube. Pouco depois, porém, uma ação separada apontou o que foi descrito como falhas graves de governança e piora da situação financeira das entidades. Além disso, em julho, o próprio Vasco pediu autorização para um novo empréstimo emergencial de R$ 40 milhões, alegando necessidade imediata de caixa para pagar despesas rotineiras, como salários de atletas e fornecedores.

Diante desse descompasso entre o que era relatado e o que realmente acontecia, a juíza concluiu ser necessário um profissional independente para checar, com mais rigor, se as informações prestadas pelo clube à administração judicial são verdadeiras e estão sendo passadas em tempo hábil.

A função foi entregue ao escritório Gussem e Lemos Basto Advogados Associados. Conforme definido pela juíza, o observador terá a tarefa de: analisar de forma crítica as informações produzidas pela própria administração judicial antes que elas cheguem à juíza; verificar se há atraso ou omissão do clube no envio de documentos que deveriam ser entregues à administração judicial; atuar de forma contínua, sem prazo definido, até nova decisão da Justiça; manter neutralidade e independência em relação a todas as partes envolvidas no processo.

O escritório nomeado ainda precisa confirmar se aceita a função e apresentar uma proposta de honorários.

Processo: 0943414-78.2024.8.19.0001

AB/ MG