Construções de narrativas sobre a Bíblia são debatidas no programa Literarius
Da esquerda para a direita, compuseram à mesa o pastor Kleber Lucas, a mestra Agnes Alencar, o padre Luís Corrêa e o desembargador Carlos Gustavo
O Centro Cultural do Poder Judiciário (CCPJ) promoveu mais uma edição do programa Literarius nesta terça-feira, 18 de agosto. O evento “Ler a Bíblia no Século XXI” ocorreu no Auditório da Mútua dos Magistrados e se dedicou a debater a relação entre as narrativas bíblicas, a escravidão negra e a modernidade. A palestra foi realizada em parceria com a Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (Emerj).
Segundo o presidente do Fórum Permanente de Estudos Clássicos, Direito e História da Emerj, desembargador Carlos Gustavo Direito, o programa visa promover um diálogo entre ideias. “A Bíblia possui uma importância histórica, política e antropológica. Ela influenciou a construção das sociedades ocidentais e sua leitura permite diversas interpretações possíveis, dependendo do olhar e o tempo de quem a lê”.
A palestra foi mediada pela mestra em História Social da Cultura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (Puc-Rio) e ministrada pelo doutor em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pastor Kleber Lucas; e pelo doutor em História pela Universidade de Brasília (UnB), padre Luís Corrêa Lima.
O pastor e cantor Kleber Lucas refletiu como a narrativa bíblica pode ser usada perigosamente como ferramenta de opressão. “Durante o período da exploração das Américas, textos foram retirados do contexto e distorcidos para legitimar a subalternidade e escravização da população negra, pois essa era a leitura defendida pelas bulas papais há quatro séculos”.
Conforme o tempo passou, novas narrativas foram construídas sobre a mesma base textual, disse o padre Luís Corrêa. “Nós não temos uma única interpretação bíblica e um único código moral válido para todas as pessoas em todos os tempos. Isso ocorre porque a leitura e interpretação é mediada pela cultura, pelos tempos e pela história. Em nosso tempo, prezamos pelo estado laico e pelos direitos humanos", refletiu.
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Foto: Felipe Cavalcanti/TJRJ