Servidores em home office: adaptação, aprendizado e criatividade no dia a dia da quarentena
Notícia publicada por Assessoria de Imprensa em 01/04/2020 18:46

 

Trabalhando na 2ª Vara Cível desde que ingressou como servidor do Tribunal de Justiça do Rio duas décadas atrás, Valmir Ascheroff de Siqueira, de 50 anos, se deparou com uma nova realidade de ofício nesta quarentena imposta pelo combate ao novo coronavírus: o sistema de home office – trabalho em casa, a distância, exercido por meio digital.

Pós-graduado na área do Direito, Valmir admite que o início da adaptação ao novo método não foi fácil, pois, para ele, estar em casa com a família e manter o foco no trabalho foi complicado.

- Mas, com muita conversa, o pessoal de casa entendeu e agora tudo flui bem. Eu me mantenho focado em todo o horário do expediente - revela.

Após 20 anos de ir e vir à 2ª Vara Cível, Valmir sente em seu atual cotidiano a diferença entre o trabalho presencial e o em home office.

- No serviço realizado em home office não há uma solução de continuidade, como há no cartório, por exemplo. Como sou chefe de cartório, a todo o momento preciso resolver problemas, atender e tirar dúvidas do público em geral. Em casa, isso não ocorre, à exceção dos e-mails que respondo – comparou.

Morando com a esposa e o filho de 14 anos, que está estudando por meio do Ensino a Distância – EAD, ele conta que colabora com as atividades domésticas fora do seu horário de trabalho.

- Todos temos nossa cota de sacrifício.

Para cuidar da saúde do corpo e da mente, o servidor  teve que se adaptar a uma nova rotina de exercícios após o fechamento das academias nesses tempos de isolamento social em nome da preservação da saúde.

- Não dá para ficar parado. Acordo cedo e procuro fazer uma série de exercícios em casa. Caso consiga criar uma rotina, tudo fica mais fácil.

O lazer também não ficou de lado. Ele, que antes saía  para visitar seus pais, ir ao cinema e  encontrar amigos, por exemplo, agora assiste a filmes com a família e brinca de jogos com o filho.

- Sem dúvida nenhuma, sinto mais falta do contato humano. Somos seres sociáveis.  Não interagir com outras pessoas é a pior parte disso tudo.

Aos demais servidores e magistrados que também estão em quarentena, Valmir dá um recado:

- Somos o tribunal mais produtivo do País, graças aos servidores e magistrados que aqui nesta Casa exercem suas atividades. Vamos manter nossa determinação de sempre e, na medida do possível, realizar nossas tarefas, sabendo que isso tudo vai passar. O importante é mantermos nossa saúde protegida, pois, sem saúde, nada podemos fazer. Foco, força e muita fé em tempos difíceis como esses são necessários. Que Deus nos proteja sempre. Um forte abraço a todos.

 

Um home office diferente

 

Para a analista judiciária Vanessa Rêgo Menezes, de 49 anos, que trabalha na  2ª instância, no gabinete da desembargadora Helda Meireles (foto), trabalhar em sistema de home office não é novidade. A servidora  já atuou duas vezes por semana nesse sistema em 2017, mas, para ela, agora está sendo bem diferente.  

- É bom estar em casa, mas a concentração às vezes falha devido aos dias em confinamento. Temos de ter momentos de relaxamento que eu não precisava quando trabalhei em home office antes da pandemia. Eu tinha a possibilidade de descer um pouco, dar uma caminhada. Hoje, não temos essa válvula de escape – destaca Vanessa, que está desde 1998 no Tribunal de Justiça do Rio e também tem formação em Direito.

 

Manter a comunicação com os colegas de trabalho e amigos tem sido importante para a analista.

- Temos nos comunicado por grupos de whatsapp ou por meio de telefonemas. Procuro manter os canais abertos não só para o local onde estou lotada, mas, também, para outros amigos tanto do TJRJ quanto colegas e advogados da pós-graduação. Procurei disseminar a informação sobre o funcionamento do Plantão Judiciário para todos.

Passando este período de quarentena com a mãe e os seus gatos, com quem mora, a servidora dividiu sua rotina em dois turnos: pela manhã faz as atividades domésticas e, à tarde, o trabalho em home office. Também tem feito abdominais para evitar piorar as dores na coluna e assistido a filmes para se distrair.  Do que mais sente falta? Da possibilidade de sair para caminhar. Mas, confia que tempos melhores virão.

- Um dia de cada vez!