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Seminário da Emedi e Nupemec debate prevenção de conflitos em ambientes escolares
Notícia publicada por Secretaria-Geral de Comunicação Social em 28/05/2026 18h05

A imagem mostra um auditório lotado durante um seminário ou palestra promovida pela Escola de Mediação. O público ocupa todas as cadeiras do espaço e acompanha atentamente a mesa de debates posicionada à frente do auditório. No palco, três participantes estão sentados atrás de uma bancada. Ao centro, o desembargador Cesar Cury, que fala ao microfone enquanto os demais acompanham a apresentação. À direita da imagem, uma mulher está posicionada em um púlpito. Ao fundo, na parede branca, aparece a identificação do local: “Auditório Desembargador Nelson Ribeiro Alves”. Um telão suspenso exibe, em tempo real, a imagem ampliada do palestrante. O ambiente possui iluminação clara, acabamento em madeira e estrutura moderna.

                          A mesa de abertura foi composta pelos magistrados Sandro Pitthan, Cesar Cury e pela secretária Luciana Calaça 

A Escola de Mediação (Emedi) e o Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec), do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), promoveram um encontro com profissionais da rede pública de ensino. O 2º seminário “Ser e Conviver na Escola” destacou a importância da comunicação na prevenção de conflitos escolares. O encontro, separado em três painéis, foi realizado no Auditório Desembargador Nelson Ribeiro Alves, no Fórum Central, nesta quinta-feira, 28 de maio.  

“Ao analisar processos que chegam até nós, temos visto com atenção demandas relacionadas ao ambiente escolar. Nosso papel é encontrar os meios científicos e institucionais de compreensão desses fenômenos, resultantes em processos judiciais, a fim de identificar suas causas e modificar esse panorama”, disse o presidente do Conselho de Administração da Emedi e do Nupemec, desembargador Felipe Cesar Cury, durante o encontro. 

A mesa também foi composta pela secretária estadual de Educação do Rio de Janeiro, Luciana Martins Calaça; e pelo juiz auxiliar da Corregedoria-Geral de Justiça do Rio, Sandro Pitthan Espíndola, que, representando o corregedor-geral de Justiça, desembargador Cláudio Brandão de Oliveira, ponderou sobre a importância de um diálogo conjunto entre o Judiciário e sociedade civil. 

Misoginia entre adolescentes 

O primeiro painel do dia foi mediado pela juíza coordenadora do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) de Itaboraí, Rosana Albuquerque França. A palestra “Misoginia entre Adolescentes: causas, manifestações e impactos” foi ministrada pela socióloga Miriam Abramovay e pela cientista social Marcelle Frossard, que sinalizaram o uso negativo da internet na proliferação da violência de gênero nas redes sociais.  

A imagem mostra uma palestra realizada no Auditório Desembargador Nelson Ribeiro Alves. Em primeiro plano, o público acompanha atentamente a mesa de debates posicionada à frente do espaço. Na mesa principal, três mulheres participam do encontro. A participante ao centro, vestindo blazer amarelo, fala ao microfone enquanto as demais acompanham a apresentação e fazem anotações. Sobre a bancada há microfones, copos com água e documentos. À esquerda da imagem, um banner da Escola de Mediação identifica a instituição organizadora do evento. O ambiente possui paredes claras, acabamento em madeira e iluminação uniforme.

Da esquerda para a direita, estão à mesa a cientista social Marcelle Frossard, a juíza Rosana França e a socióloga Miriam Abramovay 

Para a magistrada Rosana França, a misoginia é algo que não afeta somente as mulheres. “A misoginia se define por um ódio, desprezo ou hostilidade ao feminino. Apesar de as mulheres sofrerem diretamente com isso, o problema afeta a todos, inclusive homens, pois sofrem as consequências e imposições do machismo e de uma masculinidade negativa. É preciso refletir sobre essas relações para evitarmos a naturalização dessa violência”. 

A segunda parte do 2º Seminário Ser e Conviver na Escola “Articulação entre Judiciário, Família, Escolas e Redes de Proteção no enfrentamento da misoginia” contou com magistrado do TJRJ, professores, pesquisadores e profissionais da educação.  

Bullying e violência escolar 

O primeiro painel da tarde abordou a escola como espaço de prevenção e transformação de conflitos. O pesquisador Wanderlei Abadio de Oliveira, especialista em desenvolvimento humano, explicou os três critérios que definem o bullying: intencionalidade, o agressor obtém alguma satisfação com o comportamento; repetição, trata-se de um fenômeno rotineiro, não de um episódio isolado; e desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas. 

“Violência não é apenas agressão: é deterioração dos vínculos. A violência escolar não começa quando alguém bate, ela começa quando o ambiente deixa de produzir confiança”, afirmou. 

O professor Álvaro Chrispino, mediador do encontro, pontuou que a violência escolar não deve ser observada como um comportamento isolado de um indivíduo, mas como resultado de uma rede de interações. A doutora em Educação pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Telma Antunes Dantas Ferreira, destacou que ninguém nasce violento e que rotular crianças e adolescentes dessa forma desde cedo afeta seu desenvolvimento e os estigmatiza. 

Justiça restaurativa 

O segundo painel da tarde abordou a justiça restaurativa aplicada aos conflitos escolares. O coordenador do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (CEJUSC) de Japeri, juiz Leopoldo Heitor de Andrade Mendes Junior, exaltou o trabalho desenvolvido com jovens na comarca, com objetivo de estimular a cultura do consenso entre crianças e adolescentes para que se tornem multiplicadores das boas práticas. 

Já a mediadora de Justiça Restaurativa Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Rio de Janeiro (Cedeca/RJ), Patrícia Munçone, destacou a ideia de construir um ambiente escolar de harmonia. A facilitadora de práticas restaurativas e comunicação não-violenta Mayara de Carvalho Siqueira afirmou que a justiça restaurativa pode contribuir para melhorar a comunicação e as relações no ambiente escolar, muitas vezes marcado por situações de hostilidade entre professores. 

O encerramento do evento ficou por conta do presidente do Conselho de Administração da Emedi e do Nupemec, desembargador César Cury, que destacou o valor do seminário como espaço de debate e troca de experiências entre pessoas de todo o país. 

“A origem do conflito é a busca por um consenso, é a busca por um entendimento. Conflito é a chance que a gente tem de dialogar. Esse seminário tem um grande valor simbólico, que é um lugar que a gente pode conversar, ouvir e trocar experiências", concluiu. 

KB/VS/ IA 
Fotos: Kaíque Galiza, Rafael Oliveira e Renan Ribeiro/TJRJ