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Caso Henry Borel: julgamento entra no quinto dia com depoimentos técnicos sobre perícia
Notícia publicada por Secretaria-Geral de Comunicação Social em 29/05/2026 17h42

O primeiro a ser ouvido no quinto dia do julgamento do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior e de Monique Medeiros da Costa e Silva, nesta sexta-feira, 29 de maio, acusados da morte do menino Henry Borel, de quatro anos, foi o médico-legista Luiz Carlos Leal Prestes.  

Durante aproximadamente quatro horas, questões técnicas foram debatidas entre acusação e defesa, sobre se a vítima já teria chegado morta ao hospital Barra D’Or ou se as manobras de ressuscitação durante duas horas, de acordo com o processo, teriam provocado ferimentos que levaram o menino a óbito. 

O perito, que atualmente é assessor-técnico do Ministério Público, afirmou que os ferimentos no corpo do menino são incompatíveis com acidente doméstico, já que ele tinha 14 lesões provocadas por ações contundentes, inclusive na cabeça. 

“Essa versão do acidente doméstico é totalmente fantasiosa. As 14 lesões encontradas foram feitas antes da morte.  Fora essas, outras três que vimos no laudo cadavérico são compatíveis com as manobras cardíacas e ele já estava sem vida. Pela hemorragia que teve, o menino sofreu muito antes de morrer e foi um sofrimento longo”, disse o perito no II Tribunal do Júri. 

Monique passa mal e é atendida 

No depoimento de Luiz Carlos Leal Prestes foram exibidas fotos dos ferimentos do corpo do menino, onde ele explicava cada uma das lesões e o que cada uma delas provoca no corpo. Logo que as imagens apareceram, Monique Medeiros tapou os olhos. Dois minutos depois, ela se sente mal e é atendida pela equipe médica do TJRJ. O julgamento não foi interrompido, ela foi medicada e dispensada da sessão desta sexta-feira pela juíza Elizabeth Machado Louro. 

Depois da acusação, foi a vez da defesa fazer seus questionamentos ao médico-legista. A tese apresentada pelos advogados de Jairinho é a de que a laceração hepática, que provocou hemorragia, de acordo com o laudo, teria sido provocada pelas sucessivas manobras de ressuscitação. O médico legista discordou dessa tese. 

Os advogados de Jairinho questionaram o grande número de laudos elaborados após a morte do menino e perguntaram se o legista sabia sobre o desaparecimento de raio-x que apontaria um pneumotórax, desparecimento de anotações do legista que examinou o corpo.

A defesa do réu Jairinho requereu que o médico legista Luiz Airton Saveedra de Paiva fosse ouvido na qualidade de informante e não testemunha. O argumento seria que Saveedra teria declarado que havia se tornado amigo de Leniel Borel, assistente de acusação do processo e pai do menino Henry Borel, assim como o médico trabalharia no escritório de advocacia do assistente de acusação. O requerimento foi indeferido e a testemunha iniciou o seu depoimento.

O médico legista descreveu as diversas lesões que a vítima teve: “Na cabeça foram três traumatismos em três locais diferentes. Ações essas que resultaram no descolamento do couro cabeludo da vítima. No tórax há sinais de contusão nos pulmões e de hemorragia retroaórtica e no abdômen, hemorragia peritoneal, o que foi a causa do óbito”. Saveedra também afirmou que Henry deu entrada no hospital Barra Dor em óbito.

Leniel Borel

Por volta das 18h30, o pai da vítima, Leniel Borel, começou a prestar depoimento, respondendo as perguntas da presidente do júri, juíza Elizabeth Machado Louro, sobre a rotina de convívio com o Henry após o fim do seu casamento com Monique. Ele relatou, ainda, como foram os últimos fins de semana que passou com o filho, que considerou atípicos, pois Henry, várias vezes, manifestou seu desejo de não voltar para a casa onde morava Monique com Jairinho.

O depoimento foi marcado por vários momentos de emoção. Leniel chorou muito após cantarolar a música “Mãezinha do Céu”, lembrando o último vídeo que gravou, antes da morte do filho, registrando o menino Henry cantando a canção.

Ao responder as perguntas do Ministério Público e dos representantes da assistência de acusação, Leniel descreveu todo o período de relacionamento que manteve com Monique, destacando, ainda, como se deu o processo de separação.

Ele voltou a se emocionar, relatando, em lágrimas, o momento em que chegou ao hospital e se deparou com o filho morto. “Doutor, eu vi meu filho cheio de marcas, com a boca diminuta e o rosto cheio de hematomas, aquela criança, ali, não era mais o Henry”.

Após longo depoimento, Leniel respondeu as perguntas dos advogados de defesa  de Jairinho, que buscaram apontar contradições nas declarações de Leniel durante sua participação em alguns programas de TV e da internet. 

Já a defesa da Monique, também buscou destacar o comportamento de Leniel após a morte do filho como contraponto às críticas do pai de Henry em relação ao fato da Monique ter ido ao cabeleireiro antes do velório do menino. Os advogados de Monique também questionaram Leniel em relação ao tempo que ele dedicava ao filho.

O depoimento de Leniel foi longo, sendo a sessão de julgamento suspensa, às 4h15 de sábado, dia 30 de maio. 

PF/MG/IA/JM