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Programa Rio Lilás leva reflexão sobre respeito e igualdade à Escola Maria das Dores Negrão
Notícia publicada por Secretaria-Geral de Comunicação Social em 01/06/2026 12h41

A imagem mostra um homem de terno em pé falando para um grupo de crianças sentadas no chão.

                                                 O juiz Rafael Santana Garcia conversou com os alunos sobre igualdade e respeito

O que parecia ser mais um dia letivo para os alunos do quinto ano da Escola Municipal Maria das Dores Negrão, em Oswaldo Cruz, se transformou em um momento de diálogo e reflexão. Isso porque as tradicionais aulas de história, geografia e ciências deram lugar, nesta sexta-feira, 29 de maio, ao Programa Rio Lilás, iniciativa do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro que promove debates sobre violência doméstica, respeito e direitos das mulheres. 

Iniciando a programação, o escritor e contador de histórias Marcelo Correia conversou com os estudantes sobre questões relacionadas às diferenças de gênero, os fazendo refletir temas como a existência de cores ou esportes destinados a meninos e meninas. Em seguida, apresentou seu livro “As Escolhas de Gustavo”, que narra a história de um menino que, ao se permitir chorar, recebe um gesto valioso: o abraço de seu pai. “Para construirmos um mundo melhor, precisamos ter muita coragem e não desanimar quando disserem que o que sentimos é bobagem. Bobagem, na verdade, é a gente deixar de ser feliz”, ressaltou. 

Quando Marcelo deu lugar ao juiz Rafael Garcia, os olhares dos pequenos, que, antes estavam descontraídos, se transformaram. A fisionomia apreensiva logo mudou quando perceberam que o magistrado estava ali, não para dar broncas ou sermões, mas sim por outro motivo. Ele ouviu e conversou com os alunos sobre liberdade e respeito ao próximo.  Atualmente titular da 1ª Vara Cível de Belford Roxo, Rafael Santana Garcia atuou por quatro anos na Vara da Infância, da Juventude e das Famílias da Comarca de Itaperuna. Através de sua experiência em casos que envolvem conflitos familiares, o magistrado destacou a importância do Programa Rio Lilás como ferramenta de conscientização e prevenção da violência desde a infância. 

“A presença do Rio Lilás nas escolas serve, sem sombra de dúvidas, como um fator divisor de águas. O trabalho de prevenção faz com que as crianças consigam se proteger, se emancipar e identificar situações de violência antes mesmo que esses conflitos cheguem ao Poder Judiciário.” 

No final da atividade, os alunos apresentaram projetos de combate à violência contra a mulher desenvolvidos durante as aulas e realizaram uma performance artística ao som de “Maria da Vila Matilde” de Elza Soares. Houve também a inauguração do Espaço Maria da Penha, ambiente criado para que os alunos possam se sentir seguros para compartilhar experiências e buscar apoio em situações adversas. 

Escola como lugar de escuta 

A jovem Luna, de 10 anos, aluna do quinto ano, participou da dinâmica e, para ela, uma das principais lições do encontro foi compreender a importância de ter um espaço seguro para conversar sobre sentimentos, dificuldades e situações de violência. 

“Eu aprendi que as mulheres têm valor e merecem ser respeitadas. Se estiverem sofrendo violência, elas podem pedir ajuda e ligar para o 180. Acho que a escola tem que ser um lugar onde as pessoas possam falar sobre o que sentem, porque guardar tudo dentro da gente é muito ruim. A gente precisa colocar para fora e procurar ajuda.” 

A imagem apresenta um homem em pé de blusa listrada e óculos mostrando um livro aberto

                                                 Marcelo Correia animou os estudantes com gincanas criativas sobre igualdade de gênero

Sobre o projeto 

Lançado em agosto de 2025, o Rio Lilás é uma iniciativa da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Coem), do TJRJ. A ação já percorreu diversas escolas municipais, em parceria com as Secretarias de Educação e de Políticas para Mulheres, promovendo conscientização e orientação sobre direitos.   

DA*/MB

*Estagiário sob supervisão

Fotos: Renan Souza/ TJRJ