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Centro Cultural discute como os dados se tornaram instrumento de poder
Notícia publicada por Secretaria-Geral de Comunicação Social em 10/06/2026 20h58

A imagem registra um evento realizado no Centro Cultural do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro (CCPJ-RJ). Em primeiro plano, um homem está em pé, segurando um microfone e falando ao público, enquanto lê anotações em um tablet. Ao seu lado, duas mulheres participam da mesa de debate, sentadas em poltronas, também com microfones disponíveis. Ao fundo, uma tela de projeção exibe as logomarcas do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro (PJERJ), do CCPJ-RJ e do Observatório de Pesquisas. O ambiente possui iluminação suave e decoração composta por plantas ornamentais e quadros com pinturas de paisagens distribuídos pelas paredes. Na plateia, algumas pessoas acompanham a apresentação sentadas em cadeiras voltadas para os palestrantes.

                                 Espaço Cultura na Justiça recebe juíza Daniela Bandeira e a advogada Viviane Ferreira Mundim

Os dados pessoais deixaram de ser simples informação. Na era digital, eles se tornaram instrumento de poder econômico, político e social. Para discutir esse fenômeno, o Observatório de Pesquisas Felippe de Miranda Rosa (OPFMR), do Centro Cultural do Poder Judiciário (CCPJ), promoveu a palestra "Entre dados e poder: desigualdade informacional na sociedade algorítmica", nesta quarta-feira, 10 de junho, no Espaço Cultura na Justiça.

A conversa contou com a participação da advogada Viviane Ferreira Mundim e foi mediada pela juíza Daniela Bandeira em mais um encontro do Núcleo de Responsabilidade e Impacto Social da Tecnologia da Informação do OPFMR.

A juíza Daniela Bandeira refletiu sobre o uso de dados pessoais em períodos eleitorais, como o deste ano e relembrou casos de campanhas que utilizaram informações de cidadãos para direcionar estratégias de comunicação e influenciar o debate político.

“A interseção perigosa entre o público e o privado ameaça à democracia ao permitir que o Estado se aproprie de bancos de dados privados para exercer controle e manipular processos políticos”, afirmou.

Viviane Ferreira Mundim destacou o novo poder digital e como os países da América do Sul agem pela construção de estratégias de proteção dos dados da população. Segundo ela, as nações têm se organizado em torno da soberania, e a união tem sido fundamental para o desenvolvimento de medidas de segurança de dados.

“O poder atual é definido por dados e informações coletadas através de nossos costumes. A vida cotidiana agora ocorre ‘em redes’, onde ações simples como usar o WhatsApp ou pedir um Uber geram rastros que formam sistemas de poder”, completou.

A partir das teorias de Shoshana Zuboff e de autores como Thomas Piketty, Virginia Eubanks e Nick Couldry, o debate abordou como o capitalismo de dados vem transformando a experiência humana em ativo econômico, aprofundando desigualdades e criando formas de exclusão.

VS/IA

Foto: Rafael Oliveira/TJRJ