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Ex-padre de Niterói é condenado a 48 anos por estupro de dois irmãos menores de idade
Notícia publicada por Secretaria-Geral de Comunicação Social em 07/08/2026 12h12

O ex-padre de Niterói, Eric Araújo Siqueira Pereira, foi condenado a pena de 48 anos, um mês e 10 dias, acusado de estupro e incitação ao suicídio de dois irmãos menores de idade. Na condição de padrasto das vítimas, o ex-sacerdote exercia forte influência sobre os dois irmãos e praticava o crime dentro da própria residência, às escondidas da mãe das crianças.  

Durante o julgamento realizado no Tribunal do Júri de São Gonçalo, a juíza Juliana Bessa Ferraz Krykhtine, titular da 4ª Vara Criminal da comarca, acentuou a conduta social do réu.

“A conduta social do réu chama a atenção. O réu era padrasto da vítima. Consta dos autos que até bem pouco tempo antes dos fatos narrados na denúncia, o réu era integrante da Igreja Católica, na função de padre, consoante documento constante do index 2152, acostado aos autos pela própria defesa. Desde o surgimento da humanidade, a igreja católica exerce poder e autoridade sobre os cidadãos. Os seus membros padres, sacerdotes e arcebispos desempenham função de relevância e representam uma figura de autoridade no seio da sociedade, respeitada por séculos na história da humanidade. Com base nisso, a vítima tinha uma confiança exacerbada no réu, naquele que foi padre. Chama a atenção as circunstâncias do delito. O réu praticava as agressões de forma escamoteada, sempre na surdina”, escreveu na sentença.

De acordo com a denúncia, o réu se utilizou de metáforas para tentar convencer uma das crianças a tentar o suicídio. Diante dessa situação, a criança foi diagnosticada com esquizofrenia e utilizava medicação de uso controlado, que lhe causou crise compulsiva.  

O depoimento de uma das vítimas mostra de forma clara a repulsa e o asco que sentia pelo réu. A criança chegou a se afastar da residência da mãe, deixando a companhia dos irmãos. Foi morar com o pai em São Paulo e, somente após saber do depoimento do irmão às autoridades sobre a violência praticada pelo padrasto, também resolveu revelar ter sido uma das vítimas.

Segundo a denúncia, o crime era sempre praticado às escondidas, especialmente durante o banho que o padrasto insistia em dar nas crianças. Foi a frequência de banho nas crianças que chamou a atenção das demais pessoas.

Durante a sessão de júri, foi revelado que Eric já foi condenado pelos crimes de estupro, violência psicológica contra a mulher e estupro de vulnerável. Assim, a juíza ressaltou que o réu tem uma personalidade voltada para o cometimento de crimes.

A condenação será cumprida em regime fechado e a magistrada determinou que o arcebispo de Niterói seja comunicado sentença.

Processo: 0002230-95.2023.8.19.0004

PC/IA